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Discursos
- Discurso Proferido Pelo Dr José Ramos-Horta por Ocasião
da Apresentação do Relatório Sobre os Primeiros
100 Dias do 2º Governo Constitucional ao Parlamento Nacional,
9 de Novembro de 2006
- Intervenção do
primeiro-ministro, Mari Alkatiri, na recepção
por ocasião da
VISITA DO PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL A TIMOR-LESTE
Hotel Timor, Díli, 9 de Abril de 2006
- Discurso do primeiro-ministro,
Mari Alkatiri, na sessão de abertura da
REUNIÃO DE TIMOR-LESTE COM OS PARCEIROS DE DESENVOLVIMENTO,
4 de Abril de 2006, 9h00
- Discurso de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro,
Dr. Mari Bim Amude Alkatiri, Conferência sobre "Desenvolvimento
e Oportunidades de Investimento em Timor-Leste" Díli,
22 de Fevereiro de 2006
- Cerimónia de condecoração
pelo Presidente da República com grã-cruz da Ordem
do Infante, 22 de Fevereiro de 2006
- Conferência sobre o Investimento
Externo em Timor-Leste, Alocução de Abertura do
primeiro-ministro, Mari Alkatiri, Dili, 28 de Novembro
de 2005
- Discurso de improviso de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro
na cerimónia no Parlamento Nacional sobre a Comissão
da Verdade e Amizade, 3 de Março de 2005
- Discurso de S.E. o Primeiro-Ministro
na sessão de abertura da oficial do novo ano legislativo
Díli, Parlamento Nacional, aos 21 de Setembro
de 2004
- Terceira Missão de Avaliação
do Programa de Apoio à Transição, Discurso
de Abertura de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro, Dr. Marí
Bim Amude Alkatiri
- Reunião de Timor-Leste com
os Parceiros de Desenvolvimento, Discurso de Encerramento pelo
Dr. Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro, 19 de Maio de
2004
- Reunião de Timor-Leste com
os Parceiros de Desenvolvimento, Comentários do Primeiro-
Ministro, Dr. Mari Alkatiri, na Sessão de Abertura,
18 de Maio de 2004
- Dia dos Direitos Humanos,
10 de Dezembro de 2003
- Reunião de Timor-Leste com
os Parceiros de Desenvolvimento, Intervenção de
Sua Excelência o Primeiro-Ministro da RDTL, Dr. Mari Alkatiri,
3 a 5 de Dezembro de 2003
- Reunião de Timor-Leste com
os Parceiros de Desenvolvimento, Intervenção de
Encerramento pelo Dr. Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro da RDTL,
3 a 5 de Dezembro de 2003
- Cerimónia de transferência
de camiões da Malásia para as Falintil - FDTL,
23 de Outubro de 2003
- Jantar oficial oferecido por S. Ex.A
Mari Alkatiri, pelo Primeiro-Ministro Alkatiri, 23 de
Outubro de 2003
- Cerimónia em memória de Sérgio
Vieira de Melo, morto em Bagdade, Discurso de S.E. o Senhor
Primeiro-Ministro Dr. Marí Alkatiri, 19 de Agosto
de 2003
Discurso Proferido Pelo Dr José Ramos-Horta por Ocasião
da Apresentação do Relatório Sobre os Primeiros
100 Dias do 2º Governo Constitucional ao Parlamento Nacional
Sua Excelência o Senhor Presidente do Parlamento Nacional,
Senhores Deputados, Senhoras e Senhores,
1. Faz 100 dias de exercício este 2º Governo Constitucional
que surgiu da grave crise política de Maio-Junho. Curto
tempo para tarefas intensas: pacificação, tranquilidade
e ordem pública, capacidade de o Estado vencer a crise
de legitimação, organizar e pôr de pé
eleições livres e equitativas. Mas cumpre, antes
de mais, ao Governo, e penso que o tem vindo a conseguir, ser
leal ao povo e às suas tradições, ser leal
às exigências políticas de defesa da democracia,
da tolerância, da paz e da felicidade de todos.
Este é um governo que continua a ser o governo da FRETILIN,
nascido da maioria parlamentar democrática: sempre o disse
desde a primeira hora. E como Primeiro-ministro, cumpre-me honrar
os compromissos assumidos pela FRETILIN perante o seu eleitorado
e perante o povo timorense.
Quero elogiar aqui a liderança da FRETILIN e os seus membros
que no pior dos tempos souberam sempre reagir com seriedade evitando
o agravamento da crise: se Timor-Leste não resvalou para
uma guerra civil, em parte se deve à liderança da
FRETILIN, seus quadros e militantes.
Não posso deixar de fazer uma referência especial
a Mari Alkatiri, meu amigo, com quem trabalhei durante mais de
30 anos na luta pela libertação do nosso país
e chefe do governo que iniciou a maioria dos projectos que este
Governo leva agora a cabo.
Como é do conhecimento de todos, partiu ontem para Lisboa,
acompanhado pela mulher e a filha, para realizar os exames médicos
periódicos que lhe foram prescritos desde o ano passado.
Cumpre-me afirmar: o Senhor Procurador-Geral da República
esclareceu-me não haver qualquer impedimento de lei à
sua partida. Dei todo o meu apoio a esta saída temporária.
Desejo-lhe uma rápida recuperação e o seu
regresso ao país logo que esteja de boa saúde.
Merecem também elogio e, sobretudo agradecimento, todos
os outros partidos que assumiram com responsabilidade democrática
a via pacífica de resolução das disputas
políticas.
Do mesmo modo, as ONG's que, com toda a coragem ficaram para
dizer não à violência.
Mas, mais que tudo, saliento a dívida para com a Igreja
Católica, em especial para com os Bispos D. Ricardo e D.
Basílio, que se empenharam com intensidade na procura da
reconciliação e com êxito a merecer um reconhecimento
agradecido.
2. Assumi com orgulho servir Timor-Leste como membro do governo
e tenho excelentes colaboradores, em especial os meus dois vice-primeiros
ministros: são verdadeiros Primeiros-ministros.
Os meus colegas de governo, sem excepção, têm
sido dedicados e indispensáveis, sem eles não teria
podido realizar as tarefas a que me propus no programa do governo
Recapitulemos o programa do Governo focado neste ambiente: em
resumo, quer e conseguirá consolidar a paz, a estabilidade,
a democracia e o desenvolvimento do país.
Contudo, como o fará? A apresentação do
relatório dos primeiros 100 dias do Governo pretende ser
já um começo de resposta a esta pergunta. Não
exaustiva, limitada às áreas mais importantes da
actividade do Governo.
Começo por referir que na organização do
Governo é saliente uma ampla delegação de
competências nos dois Vice-Primeiros Ministros para enfrentar
no terreno os problemas que as necessidades das populações
põem aos governantes, têm de ser objecto de pronta
tomada de decisão: não pode haver esperas burocráticas.
E no sentido da descentralização governativa, está
a ser acelerado o processo das parcerias com outras entidades
e organizações: têm muito a oferecer ao povo
de Timor-Leste.
Que todos trabalhemos juntos de forma harmoniosa!
O esforço do Governo, porém, não pode esquecer
a construção de uma sociedade democrática
forte e estável, que irá requerer uma energia concertada
para lidar com as origens mais profundas dos recentes distúrbios
É nesta direcção que o governo tem considerado
em primeiro lugar um frutuoso e bom relacionamento com a Igreja,
reconhecendo-lhe uma experiência histórica singular,
aderente à profunda espiritualidade do povo, sem modernismos
seculares e laícistas.
A Igreja Católica Timorense é das únicas
instituições aglutinadoras do tecido social: convidou-a
o Governo a assumir um papel maior ainda na educação
e formação do nosso povo, no desenvolvimento humano
e na luta contra a pobreza.
Não espanta, pois, que este Governo aguarde com expectativa
a abertura de uma terceira diocese em Timor-Leste e insista na
Nunciatura de Díli, em representação do Vaticano,
ao mesmo tempo que nomeia um embaixador, junto da Santa Sé.
E neste quadro se inscreveu, a recente visita de uma delegação,
a Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Tenho de abrir aqui um parêntesis para referir que as nossas
comunidades muçulmana e da Igreja reformada, embora percentualmente
pequenas, têm tido do mesmo modo um relevante papel neste
mesmo domínio.
De seguida anoto as contribuições positivas dos
programas que os outros parceiros de desenvolvimento levam a cabo.
Não obstante, é necessária agora uma pausa
reflexiva sobre o que tem funcionado e o que já se vê
que não funciona, definindo prioridades novas, que em boa
parte surgiram da crise, para tudo aglutinar numa plataforma comum
com vista à recuperação.
Está a ser desenvolvido "um compacto" entre
todos os intervenientes, Governo, Missão das Nações
Unidas, agências multilaterais e bilaterais, com vista à
coligação de esforços e coordenação
das actividades tendo em vista o desenvolvimento de longo prazo
em Timor-Leste.
3. A crise de Abril e Maio teve como resultado mais de 10% da
população deslocada: aproximadamente 70.000 pessoas
partiram para os distritos e foram estabelecidos mais de 60 campos
de deslocados em Díli.
Na verdade, apenas puderam ser estabelecidos com as tarefas de
apoio humanitário e a solidariedade de todo o povo e, em
especial a dedicação e coragem dos padres, freiras
e leigos, dos funcionários das escolas, funcionários
dos Ministérios, líderes e população
dos bairros menos afectados, ONG's... que acolherem os deslocados.
Foram exemplares.
Desde o início da crise, o apoio material e espiritual
tem sido prestado pelo povo timorense, que se disponibilizou para
gerir os campos sem qualquer benefício material: colaborou
e continua a colaborar com as iniciativas governamentais.
O Governo reconhece a liderança dos gestores dos campos,
e juntamente com os seus parceiros empenha-se em apoiá-los
nas suas tarefas, fornecendo-lhes apoio técnico e material.
O diálogo é o caminho para a reconciliação
que o Governo tem tomado desde a posse: sobressaem neste domínio,
que impressiona, os excelentes surtos de conversações
protagonizadas por muitos grupos através de Díli.
Têm sido animadas pelas iniciativas levadas a cabo pelo
Governo na clara circunscrição do programa de diálogo
nacional do Presidente Xanana e do esforço tremendo nesse
sentido da parte dos senhores bispos e da comunidade eclesiástica
em geral.
Desde o início da crise tenho visitado regularmente os
campos de deslocados. Este fim-de-semana, elementos da PNTL e
das F-FDTL vão acompanhar-me numa visita a alguns dos campos
com o objectivo de lhes dar confiança, levantar a moral
e de os encorajar ao regresso a casa.
O nosso estimado Presidente tem sido incansável no esforço
do diálogo com os jovens e adultos, na liderança
das F-FDTL e PNTL, procurando incessantemente uma solução
par a crise, devolvendo ao nosso povo a paz e tranquilidade.
O Presidente da República e o Governo têm trabalhado
em sintonia e os trabalhos da Comissão de Diálogo
para a Reintegração Comunitária criada pelo
Presidente estão a ser conduzidos com sucesso. Esta comissão
começou as suas actividades em meados de Outubro e é
composta por 30 pessoas, maioria jovens, cobrindo os bairros de
Díli e organizando encontros com ênfase na aceitação
mútua
Estão também a ter lugar encontros de nível
médio, nos distritos e sub-distritos, com membros dos Partidos
Políticos, ONG's, académicos, e Igreja católica
e outras confissões religiosas com o objectivo de recolher
dados sobre as causas, consequências e lições
retiradas com o objectivo de preparar, no futuro próximo
um encontro ao mais alto nível que incluirá os dois
Bispos das Dioceses de Díli e Baucau, e outras entidades
nacionais e internacionais.
A comissão irá também implementar o rito
sacral timorense Hamulak e apoiar programas de educação
cívica.
A Presidência está também envolvida na mais
importante estratégia de reconciliação desenvolvida
pelo Governo e implementada naturalmente a nível do aparelho
de estado - iniciativa que é liderada pelo Ministro do
Trabalho e Reinserção Comunitária: o programa
SIMU MALU.
Visa
" Facilitar o regresso dos deslocados a casa em Díli
ou realojá-los,
" Criar um ambiente de amizade nas aldeias e sucos,
" Criar um ambiente seguro para todos.
A promoção do diálogo desenvolve-se da base
para o topo. As comunidades organizam os encontros entre as várias
partes. Já foram estabelecidas conversas entre os deslocados
do Campo do Jardim e os jovens de Colmera, entre a comunidade
de Caicoli e os deslocados no campo dos bombeiros, entre os jovens
de Quintal Boot e os de Caicoli.
Constitui-se, também, numa ajuda aos deslocados, passando,
desde logo, pela reconstrução ou reabilitação
das casas destruídas ou danificadas durante o período
de perturbações civis.
Define-se, no limite, pela construção de novas
habitações: o Conselho de Ministros aprovou as políticas
de reconstrução, o Ministério da Obras Públicas,
dando sequência, formulou-lhes o programa.
Estão identificados os locais e estão a ser preparados
os terrenos onde vão ser construídos novos bairros:
antigo quartel da polícia em Caicoli, antigo quartel da
polícia do Bairro Económico, em frente ao antigo
mercado municipal (Quintal Boot), em Taibessi, perto do mercado.
De qualquer modo, as dificuldades são ainda muitas: ainda
existe um número considerável de deslocados, números
reportados a 06.10.09 indicam-nos que existem aproximadamente
23.000 pessoas a viver em campos dentro da cidade de Díli
e mais de setenta mil em campos nos distritos.
Mas os esforços concertados de todos evitaram problemas
de saúde pública que haviam sido anunciados e não
houve episódios de insegurança alimentar. O número
de deslocados, em Díli, passou de aproximadamente 65.000
para 23.000
Mais além cumpre e tem sido feito um esforço destinado
a garantir a segurança, tanto nos campos como no país
em geral, mas trata-se de uma tarefa árdua que implica
um reforço constante de todas as tarefas que a consolidem
numa reforma das instituições de defesa e da polícia.
4. Entretanto, o Governo agradeceu imediatamente à Austrália,
à Nova Zelândia, à Malásia e a Portugal
a rápida resposta que deram na hora do aperto, ambiente
necessário da resposta com que nós próprios
haveremos de sarar as feridas, as divisões políticas
e institucionais, no rescaldo da paz.
Actualmente, o mandato do Conselho de Segurança estabelece
a responsabilidade das Nações Unidas, através
da UNPOL, pela manutenção da segurança em
Timor-Leste.
A nova Missão das Nações Unidas (UNMIT)
tem um papel muito específico a desempenhar na reforma
do sector de segurança.
Mas impõe-se, e será feita, uma análise
abrangente do papel futuro e das necessidades deste sector que
inclui as F-FDTL, o Ministério da Defesa, a PNTL e o Ministério
do Interior.
E foram já aprovadas pelo Conselho de Ministros algumas
medidas no sentido de dotar as F-FDTL de um quadro legal da reestruturação:
" Lei Orgânica do Ministério da Defesa,
" Revisão da Lei Orgânica das FALINTIL-FDTL,
" Decreto-Lei do Regime das Promoções Militares,
Regulamento de Disciplina Militar e
" Proposta de Lei sobre Serviço Militar, que foi enviado
a este Parlamento, por ser matéria de sua exclusiva.
E o grupo de planeamento estratégico das FALINTIL-FDTL
completou o estudo do documento FORÇA 2020 que também
já foi apresentado em Conselho de Ministros e está
actualmente em progresso a estratégia de implementação
do Plano de Desenvolvimento das Forças Armadas. Estes documentos
serão amplamente discutidos antes de definitivamente aprovados
De acordo com o mandato da nova missão, a liderança
do contingente policial permanecerá nas Nações
Unidas: o contingente irá atingir 1608 homens. No presente
conta com quase 1000 elementos da UNPOL, em vias de estabelecerem
13 esquadras de polícia em Díli para cumprir o objectivo
de presenças constantes nos bairros
Já foram instaladas esquadras ou postos fixos em: Caicoli,
Becora, Comoro, Aeroporto assim como o Quartel-general da PNTL,
Mercado Lama (Undil PNTL post), Akadiru-hun (Bidau), Pantai Kelapa.
Brevemente estarão funcionais Bebonuk, Fatuhada, Matadouro
(Manu Metan Rai hun), Hera e Metinaro
Senhor Presidente
Senhores deputados
É certo que sim, que podemos estar confiantes, onde agora
todas as partes e todos os observadores têm concordado em
ser muito positiva a presença de agentes da PNTL, de volta
ao activo o mais cedo possível:
O Governo, vai assinar em breve um acordo com as Nações
Unidas que regula o exercício dos poderes que foram conferidos
à UNPOL pelo Conselho de Segurança, e prevê
três fases distintas para a reconstituição
da PNTL (começa pela concessão do comando e controlo
ao Comissário da UNPOL, segue a devolução
faseada ainda sob o comando do Comissário e no final a
entrega a um comandante da PNTL).
Foi Iniciado o processo de triagem de todos os elementos da PNTL
por cinco equipas técnicas e pelo Comité de Avaliação:
desde Agosto, foram registrados 1013 membros da PNTL e 62 já
estão nas ruas, a par dos colegas da UNPOL.
Entretanto, a situação de segurança interna
no país, que nos últimos dias tem evoluído
de modo positivo, permanece ainda tensa em Díli, com a
ocorrência de distúrbios provocados principalmente
por jovens, organizados em grupos com motivações
mais criminais que propriamente políticas: o Governo acredita
que a dar apoio a estas organizações criminosas
poderão estar outras pessoas, com objectivos bem definidos,
apostados em minar a autoridade do Estado
No entanto, os conflitos que têm provocado a alteração
da ordem pública resumem-se quase só à cidade
de Díli. Nos restantes distritos do país o Governo
pode definir a situação de segurança como
praticamente normalizada, onde as instituições públicas
e privadas desenvolvem tranquilas a actividade e a PNTL realiza
as tarefas da ordem ininterruptamente, com uma cadeia de comando
activa e sem recurso, por enquanto, à polícia internacional.
Na cidade de Díli tem sido visível nos últimos
dias um acentuado reforço policial: chegaram mais efectivos
da UNPOL, foram distribuídas patrulhas estáticas
nos pontos mais sensíveis, preveniram-se, desta forma eventuais
desacatos da ordem pública.
Os piores momentos já passaram e as autoridades policiais
estão, agora, mais bem apetrechadas, tanto em meios humanos
como materiais, para enfrentarem com êxito todos quantos
insistem em procurar inviabilizar o crescimento e consolidação
do Estado timorense
No intervalo, as forças militares australianas e neozelandesas
vão continuar em Timor-Leste para coadjuvar nas operações
da UNPOL, e no que diz respeito propriamente à componente
militar, o Governo, com o apoio do Presidente Xanana, solicitou
já que se mantivessem os contingentes.
Kofi Anan, foi informado e o Secretário-Geral das Nações
Unidas conhece as nossas razões para a permanência
destas forças militares.
Senhor Presidente
Senhores deputados
Acredita, na verdade, o Governo que é no melhor interesse
do povo timorense que deve manter-se o status quo: as forças
já estão cá há algum tempo, familiarizadas
com o país e as populações.
O esquema pode fornecer-nos mais tropas do que os militares que
estariam disponíveis sob uma operação de
manutenção da paz da ONU. No presente, e até
Dezembro, estão estacionados em Timor cerca de mil efectivos
e o número mínimo será sempre o de um batalhão:
é tanto mais lógico quanto natural que aceitemos
esta graciosa generosidade dos nossos vizinhos.
Em todo o caso, estabeleceu o Governo consultas com alguns outros
países amigos que indicaram estarem disponíveis
para enviarem forças militares para Timor-Leste.
Anotei as preocupações do Parlamento Nacional relativamente
ao comando das forças Internacionais e posso garantir que
estamos a trabalhar arduamente no sentido de uma melhor definição
destas questões: estamos a negociar um acordo trilateral
com as Nações Unidas e a Austrália que pretende,
além de regular as funções das forças
militares estabelecer um mecanismo de coordenação
de alto nível em que todas as partes estejam representadas.
5. Estão previstas, nesta roda do tempo, as eleições
legislativas e presidenciais para 2007: foram mobilizados recursos
financeiros e humanos pelo Governo com vista a um regular e honesto
processo eleitoral e a melhorar o apoio às campanhas eleitorais
dos Partidos Políticos.
Muito embora na generalidade até aqui tenha havido um
bom desempenho, o 2º Governo Constitucional apresentou formalmente
um pedido às Nações Unidas no sentido de
ter apoio, em sintonia com o Ministério da Administração
Estatal, para a organização e supervisão
das eleições gerais.
Ainda assim, o STAE lançou de imediato o projecto-piloto
e o programa de recenseamento dos eleitores, no intuito de testar
quer o sistema de actualização dos dados eleitorais,
quer as máquinas e a emissão dos novos cartões.
Em Díli, durante um mês, participaram aproximadamente
7 000 pessoas. Com base nos resultados, o Governo de Timor-Leste
vai adquirir 52 máquinas e o PNUD doará 18.
Em paralelo, foi assinado o documento com o projecto de assistência
às eleições nacionais, entre o PNUD e o Governo,
que inclui apoio técnico e logístico ao processo,
assistência e treino dos observadores e fiscais dos partidos
políticos.
Também a UNMIT começou a preparar um programa de
assistência às eleições nacionais:
inclui o envio de quase trezentos assessores internacionais para
apoio das diversas etapas e das diferentes instituições:
STAE, Parlamento Nacional, Tribunal de Recurso e Órgão
Independente de Supervisão Eleitoral a ser criado por lei.
Enquanto tudo isto ocorre, o Parlamento Nacional trabalha as
bases para a eleição de deputados a partir de duas
versões da lei eleitoral, uma proveniente do partido da
maioria, outra dos partidos da oposição, mas que
na sua essência são muito semelhantes, ambas baseadas
no sistema partidário e de representação
proporcional e ambas reconhecendo a necessidade de incluir mais
mulheres nas listas.
6. Todos estes aspectos políticos a que me tenho vindo
a referir não põem de lado o objectivo constante
da redução da pobreza e do crescimento económico.
Continuo a dizer que os pobres e esquecidos das zonas rurais
são a preocupação central do Governo sendo
necessário uma dinamização rápida
das actividades económicas periféricas, através
de pequenos projectos de impacto rápido. Ao mesmo tempo
o Governo apoia os Liúrais e chefes de sucos, no sentido
de restaurar-lhes a dignidade e o poder moral e secular, dotando-os
de meios para servirem o povo.
Neste âmbito
Avaliámos os resultados do Programa de Desenvolvimento
Local nos distritos de Lautem e Bobonaro, e procedemos ao lançamento
do mesmo programa nos distritos de Aileu e Manatuto.
Apesar de as quantias alocadas no âmbito deste programa
serem ainda modestas, vieram dar um maior poder às comunidades
de base local, no sentido de participarem em processos decisórios
de governo, tomarem as suas próprias iniciativas e assumirem
a responsabilidade pelo desenvolvimento nas suas áreas
de actuação.
Os resultados positivos deste programa foram cruciais para que
o Conselho de Ministros aprovasse a política de descentralização
e poder local.
Entretanto em relação aos Chefes de Suco
" Foi aumentado em 30% o subsídio de funcionamento
dos sucos,
" Foi aprovado um incentivo de 15 USD por mês para
cada membro do Conselho de Suco,
" Foi iniciado um levantamento das necessidades de construção
e reabilitação das sedes de suco.
" Foi iniciado um estudo para a colocação de
painéis solares nas sedes dos Sucos.
" Foi iniciado, por fim, o processo de compra de uma motorizada
para cada chefe de suco com vista a facilitar as suas deslocações
no contacto com as comunidades.
Antes da crise, a economia de Timor-Leste tinha vindo a melhorar
gradualmente e havia sinais encorajadores de recuperação
depois do abrandamento entre 2002 e 2003. As estimativas dizem-nos
que o PIB não petrolífero, excluindo a conta das
Nações Unidas, terá crescido na ordem dos
6% reais em 2005: um feito impressionante.
Toda a recuperação foi ajudada por um forte desempenho
no campo da produção alimentar agrícola,
em correlação com um aumento substancial, no ano
de 2005, dos empréstimos bancários ao sector privado
.
O objectivo da política macro-económica era conseguir
uma taxa de crescimento de pelo menos 6% reais, a longo prazo
e era possível como demonstram os números de 2005:
a esperança da redução da pobreza, segurança
alimentar e o feito de criação de oportunidades
de emprego, com uma força laboral a crescer 4% ao ano,
estavam aí.
No entanto, antes da crise, a recuperação económica
era ainda condicionada pelo acentuado declínio do nível
de investimento fixo: em 2001, tivemos um pico de $ 145 milhões
USD, equivalentes a mais ou menos 40% do PIB não petrolífero;
em 2004, esta verba desceu para cerca de 60 milhões USD
ou, mais ou menos, 18 % do PIB não petrolífero.
Por tudo isto, e porque a crise, entretanto, foi um retrocesso,
a estratégia do Governo para os próximos 5 anos,
na sequência das opções tomadas pelo anterior
governo, baseia-se no conceito de estímulo da economia
pelo sector público, aumentando os investimentos, que poderão
levar a um forte crescimento sustentado.
Assim, o orçamento do Estado inclui um grande aumento
na rubrica dos gastos de capital, muito embora o Governo não
descure a promoção do investimento privado.
Não nos esqueçamos que Timor-Leste aparece no estudo
do Banco Mundial Doing Business como um dos piores países
do mundo para se registar um negócio.
Para remediar esta situação foram tomadas algumas
medidas imediatas:
" Proposta, ao Conselho de Ministros, de alteração
à Lei das Sociedades Comerciais: poderá melhorar
em 98 posições a classificação de
Timor-Leste no item Facilidade para Começar um Negócio
no Doing Business, isto é, passar do 141º para o 43º
lugar, e 11 posições no conjunto Facilidade em Conduzir
Negócios.
" Simplificação dos procedimentos de aprovação
de Investimento Estrangeiro, nestes últimos 3 meses, que
resultaram na aprovação de 21 projectos avaliados,
no seu conjunto, em quase 80 milhões de USD e na criação
de mais de 2000 postos de trabalho.
" Estamos agora a rever as leis do Investimento, a estudar
a criação de uma empresa de seguros e a definição
de um sistema de resolução de conflitos em matéria
comercial mais célere.
Se as medidas de estabilização, tolerância
e reconciliação derem resultado, não obstante
os peritos económicos predizerem um abrandamento do crescimento
da ordem dos 6 a 7% em 2006 é ainda de esperar que a economia
recupere, em 2007, com um incremento da actividade económica,
na ordem estimada dos 16%, por via do estímulo do regresso
do pessoal da ONU a Timor-Leste, pelos esforços concertados
para elevar o investimento público e pelo arranque do programa
Millenium Challenge Account .
Reconhece o Governo, naturalmente, que são necessárias
sinergias para melhorar os níveis de execução
orçamental: têm constituído um obstáculo
ao desenvolvimento e à melhoria do Estado.
Aqui o Governo já beneficiou das recomendações
feitas por uma equipa do Banco Mundial traduzidas nas medidas
adoptadas pelo Conselho de Ministros em Setembro:
" Fortalecimento da monitorização da execução
orçamental,
" Delegação de uma maior autoridade em termos
de aprovisionamento em benefício dos ministérios
operacionais,
" Simplificação dos procedimentos de compromisso
e pagamento,
" Introdução de procedimentos de supervisão
dos pagamentos,
" Fortalecimento das capacidades de auditoria das acções
de aprovisionamento,
" Recrutamento de técnicos para o Ministério
do Plano e das Finanças.
Contudo, precisamos de permanecer vigilantes no que diz respeito
aos riscos de uma maior inflação: podem ameaçar
a estabilidade macro-económica.
Timor-Leste está presentemente a aproveitar os benefícios
do elevado preço do petróleo. As receitas neste
ano fiscal serão superiores à estimativa orçamentada
de $ 680 milhões USD. Porém, de acordo com as directivas
de política fiscal estabelecidas na Lei do Fundo Petrolífero,
não irá o Governo gastar esse excedente de uma só
vez .
O nível sustentável dos gastos anuais foi, por
isso mesmo, calculado em $283 milhões: o Governo está
empenhado em explorar esta margem de manobra da política
fiscal, não só através do aumento das despesas
orçamentadas, como também por via da redução
das receitas fiscais não petrolíferas .
Um sistema tributário atractivo - que deverá incluir
uma redução drástica dos impostos e de algumas
taxas aduaneiras - para as actividades empresariais está
a ser estudado, segundo a experiência internacional e o
conselho dos respeitados peritos do FMI.
7. De par, o Governo de Timor-Leste está determinado,
a levar a sério as recomendações dos peritos
da UNDP, do Banco Mundial e do Governo da Finlândia inseridas
no relatório, Supervisão Reforçada e Transparência
em Timor-Leste: bases de um plano anti-corrupção,
estabelecimento de uma jurisdição de contas, formação
e treino ético dos servidores do Estado e uma liberdade
crítica reforçada na lei de imprensa e comunicação
social.
Nomeei um novo Inspector-Geral que já está a investigar
todas as alegações de corrupção e
má administração tendo sido a sua Lei Orgânica
recentemente submetida ao Conselho de Ministros.
Continuaremos a apoiar os esforços do Provedor de Justiça
e a considerar seriamente os seus relatórios e propostas.
Algumas propostas de Lei, em consideração no Conselho
de Ministros, têm sido alteradas com base nestas recomendações.
8. Por fim, no plano externo, continua o Governo a desenvolver
relações de amizade e cooperação com
todos os vizinhos indiscriminadamente e os seus parceiros de Desenvolvimento.
Ao mesmo tempo continua a participar activamente no Asian Regional
Fórum e intensifica os preparativos para aderir à
ASEAN, tendo o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da
Cooperação participado nesse sentido na 57ª
reunião de ministros: está prevista a assinatura
do Tratado de Cooperação e Amizade para este ano.
Enquanto Primeiro-Ministro desloquei-me à Indonésia,
para uma visita que durou pouco mais de 48 horas, para reiterar
o desejo deste Governo de continuar a desenvolver as relações
excelentes que existem hoje entre os dois países.
" Continuamos os esforços de fecho das negociações
sobre a demarcação da fronteira terrestre comum
e
" Estamos a estudar a melhor forma de pôr de pé
o regime de mercados de fronteira e dos livre-trânsitos
para benefício de dezenas de milhares de pessoas que vivem
nos dois lados.
" Obtive também o aval do Presidente da Indonésia
Susilo Bambang Yudwoyono para as obras do melhoramento da estrada
que liga o distrito de Oecusse a Batugade de forma a ficar facilitada
a circulação entre aquele distrito e o resto do
país.
Segui para Denver-Colorado, no fortalecimento das boas relações
que Timor-Leste mantêm com os EUA, no mesmo e comum ideal
de liberdade e de independência dos povos do Mundo. Vamos
beneficiar do Programa Millenium Challege que inclui projectos
destinados ao desenvolvimento do sector privado com o objectivo
de relançar a economia.
E para o Kuwait, tendo em vista desenvolver as relações
de cooperação com esse país que é
um dos nossos principais parceiros do Médio Oriente. Nesta
visita, foram estudadas as possibilidades oferecidas pelo Fundo
do Kuwait, nomeadamente para a construção de grandes
infra-estruturas. Este país ofereceu também a transformação
do actual parque de estacionamento do Governo numa praça
cultural. As obras irão manter a traça original
do tempo colonial. A "praça cultural" vai constituir-se
num espaço de paz e beleza acessível a todos onde
serão realizadas várias iniciativas culturais semanalmente.
Visitei, entretanto a Noruega, que tem sido um dos nossos principais
parceiros na área da energia e do petróleo e que
se comprometeu a financiar um projecto de reabilitação
da rede eléctrica em Díli e que permitirá
criar um sistema de iluminação pública em
Díli.
Desloquei-me também, numa curta viajem de 48 horas, à
Malásia para discutir as relações bilaterais
e agradecer a pronta resposta ao nosso apelo de envio de tropas.
Visitei a Austrália: é a geografia que nos impõe
desenvolvermos relações cada vez mais estreitas
em todos os domínios. Partilhamos o Mar de Timor, cujas
riquezas estão a contribuir já decididamente para
o desenvolvimento do nosso país. Neste enquadramento de
interesses morais e económicos, o Governo irá enviar
ao Parlamento para debate e ratificação o Tratado
Relativo a Ajustes Marítimos no Mar de Timor e o Acordo
relativo à Unitização dos Campos de Greater
Sunrise e Troubadour
O Governo confia em que os dignos representantes eleitos da nação
irão compreender que o referido tratado serve os melhores
interesses do nosso país e, uma vez ratificado, vai permitir
o desenvolvimento do campo de Greater Sunrise e Troubadour, cujos
recursos são o garante da independência económica
e da prosperidade nacionais.
Tenciono, no próximo ano, agradecer o envio de tropas
neozelandesas numa visita à Nova Zelândia.
Irei também a Portugal, no início do próximo
ano. Recebemos recentemente a visita do Ministro da Administração
Interna. Correm favoráveis as negociações
com Portugal, com vista à definição do programa
de cooperação durante os próximos três
anos, sob a prioridade das áreas da Educação
e da Justiça.
Por fim gostaria de referir a visita do Vice-ministro da Saúde
Luís Lobato, a Cuba para consolidar as nossas relações
bilaterais, nomeadamente na área da saúde e visitar
os nossos estudantes de medicina em Cuba. Não posso deixar,
aqui, de elogiar a solidariedade Cubana neste campo.
Entretanto e para responder às preocupações
de alguns membros da Comunidade e da Igreja, em particular o Governo
convidou a Igreja a enviar para aquele país um Capelão
para prestar assistência espiritual aos nossos estudantes.
Convidou também o Bispo D. Carlos a deslocar-se a Cuba
para uma visita espiritual aos nossos estudantes.
9. Como Primeiro-Ministro, numa convicção partilhada
por todo o governo e, posso dizê-lo com o nosso povo, acredito
que a via adequada para a resolução dos conflitos
internos é a do diálogo. Durante os meses de Maio,
Junho e Julho, a pior fase da crise, procurei dialogar com todos
os jovens envolvidos em violência e com os elementos da
PNTL e das F-FDTL que estavam em litígio.
Estive várias vezes com os Peticionários e com
os 3 oficiais que por razões já conhecidas voluntariamente
se afastaram da grande família das F-FDTL.
Falei com grupos que possuíam armas no sentido de os persuadir
a entregarem-nas. Neste espírito, desloquei-me ao distrito
de Liquiçá, para me encontrar com Railos e acertar
a entrega das suas armas, embora se tenha recentemente tornado
aparente que ainda tem algumas com ele.
Estes esforços sempre foram públicos, nunca houve
encontros secretos; pelo contrário, fui sempre acompanhado
de representantes das Nações Unidas ou do Corpo
Diplomático e por vários jornalistas. Os encontros
foram testemunhados pela população local.
Relatei sempre os resultados destes encontros tanto ao então
Primeiro-ministro como ao Presidente da República e ao
Corpo Diplomático.
Realizei estes encontros sempre na convicção expressa
de que tinha de ouvir tudo e todos, qualquer timorense que quisesse
falar comigo, dentro da minha convicção de que o
diálogo é o único meio de resolver quaisquer
conflitos.
As várias iniciativas de diálogo com os peticionários
- tanto minhas como do Presidente da República - desde
o inicio da crise, estão a dar frutos e esperamos que,
com a ajuda de todos os partidos políticos e da Igreja,
seja possível encontrar uma solução para
esta questão. É louvável que, desde o início
da crise, em Abril deste ano, os peticionários tenham evitado
ser atraídos para manifestações políticas
e outras actividades incompatíveis com a boa solução
dos seus problemas. Reitero o meu apelo a que continuem a colaborar
com a Comissão de Notáveis que está a estudar
o caso
Recentemente também, em conjunto com o Presidente da República
e a Igreja, desenvolvi iniciativas no sentido de convencer o Major
Alfredo Reinado a entregar-se à justiça como medida
de pacificação
E
Senhor Presidente
Senhores deputados
Tenho o prazer de informar, no final desta comunicação
do 1º Ministro à Camara
Que tem havido diálogo intenso entre o Presidente da República
e o comando das F-FDTL: na Terça-Feira, todo o comando
e a chefia do Estado-maior se deslocou a Balibar para um encontro
muito demorado, e ontem, Quarta-Feira, SE o Presidente da República
encontrou-se com o comando da PNTL
Ontem, também, reuni com o Conselho de Ministros e em
diálogo fraterno debatemos toda a problemática da
segurança e do processo de reorganização
e reestruturação da PNTL e das F-FDTL.
Hoje à tarde sigo para um encontro com o Presidente da
República, que vai reunir elementos da PNTL e dasF-FDTL.
Sempre afirmei, desde o início, a minha total confiança
relativamente ao comando das F-FDTL. O relatório da Comissão
Internacional de Inquérito confirmou que as F-FDTL não
cometeram qualquer massacre. Quem tem consciência tranquila
não receia a verdade. Eu não a receava ...
Sempre disse, enquanto Ministro da Defesa e Primeiro-ministro,
que a minha principal tarefa seria procurar sarar as feridas abertas
dentro das F-FDTL e PNTL, entre as F-FDTL e a PNTL e entre as
duas e a comunidade.
Sempre soube que é necessário lidar com estas duas
instituições com prudência e sem pressas.
Aguardei pelos resultados da Comissão Internacional de
Inquérito
O relatório nega as alegações de massacre.
As F-FDTL pedem desculpa às vítimas que possam ter
causado directa ou indirectamente. Parece que, agora, aqueles
que deliberadamente tentaram denegrir as F-FDTL deveriam também
pedir desculpas às F-FDTL.
Certo é que havia alguns interesses neste nosso país
em fazer cair as F-FDTL: hoje, a verdade está dita e não
houve massacre. É altura de devolvermos às F-FDTL
o seu lugar no nosso país.
10. Referi no início que iria circunscrever-me a uma síntese
curta dos 100 dias do 2º Governo Constitucional. Para uma
análise mais profunda convido os Sr. Deputados à
leitura do relatório que entreguei hoje ao Presidente Lu-Ólo.
Considero que disse o mais importante, mas o mais importante é
ainda possível dizê-lo em duas palavras.
São as palavras de esperança no progresso e na
paz, sem mal entendidos, olhos nos olhos e de corações
abertos: reconciliação e tolerância. Por estas
duas ideias, tem o Governo dado o melhor que sabe do seu esforço.
Conduzi-lo-ão nos PRÓXIMOS PASSOS:
(i) aceleração do processo de retorno dos deslocados;
(ii) início da construção de casas e acolhimentos
provisórios;
(iii) reactivação da PNTL e F-FDTL;
(iv) maior implementação dos projectos orçamentados;
(v) continuação da consolidação da
paz e estabilidade; continuação da preparação
das eleições de 2007; (vi) Ratificação
do Acordo com Austrália.
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