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{text}Intervenção do primeiro-ministro, Mari
Alkatiri, na recepção por ocasião da VISITA
DO PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL A TIMOR-LESTE Hotel Timor, Díli,
9 de Abril de 2006
Excelências:
É uma honra para o povo de Timor-Leste receber na sua
terra o presidente do Banco Mundial. Essa honra é ainda
maior quando o Sr. Paul Wolfowitz visita a mais nova nação
do mundo menos de uma semana depois de os parceiros de desenvolvimento
terem elogiado a política definida por este Governo para
fazer do combate à pobreza uma causa nacional.
Timor-Leste tem sido apontado pela comunidade internacional como
um caso de sucesso das intervenções das Nações
Unidas. Quase quatro anos passados sobre a Restauração
da Independência da República Democrática
de Timor-Leste, quem nos estuda começa a não ter
dúvidas que somos nós, os timorenses, a principal
causa desse sucesso.
Não se julgue que não reconhecemos o papel decisivo
da ONU na obtenção da Restauração
da Independência e na construção da paz. Reconhecemo-lo
e guardamo-lo para sempre junto do nosso coração.
Mas, até já antes de 20 de Maio de 2002, Timor-Leste
tem decidido por si o seu futuro e apostado no melhor rumo - mas
contando sempre com a prestimosa ajuda de um contingente importante
de conselheiros internacionais, que, mesmo assim, não nos
deixam de sugerir coisas com as quais, às vezes, discordamos.
Temos pois sido senhores do rumo que trilhamos, e é por
isso que tendo em conta os parâmetros sempre rigorosos do
Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, acaba
por ser uma enorme alegria sabermos que estas duas importantes
instituições reconhecem que temos decidido bem e
contribuído para fazer crescer a nossa jovem economia.
Isto tudo em paz e estabilidade. Mas sobretudo, o que é
sempre uma preocupação para o Banco Mundial, estamos
a crescer sem dívida externa e com um auxílio directo
ao nosso Orçamento do Estado cada vez mais reduzido (no
próximo ano fiscal, de 2006/07, representa pouco mais do
que quatro por cento).
Que fique claro que as palavras elogiosas que nos dirigem estas
instituições e outros parceiros de desenvolvimento
não nos cegam, não paralisam a nossa acção.
Antes motivam-nos para continuarmos a lutar, sempre perseguindo
o mesmo objectivo: contribuir para melhorar as condições
de vida dos timorenses, de uma forma equilibrada, equitativa e
promotora da diminuição das assimetrias regionais.
Somos, pois, um exemplo. E queremos continuar a ser um exemplo.
Através do Fundo Petrolífero, pusemos o dinheiro
oriundo da exploração dos recursos do nosso Mar
de Timor ao serviço das gerações vindouras.
Estamos a construir as infra-estruturas de que as populações
carecem. Vamos criar empregos e melhorar as condições
de vida nos distritos, e não apenas na capital do país.
Em suma, sabemos bem para onde queremos ir e como podemos ir.
Quando o terrorismo internacional não sai da agenda noticiosa
e a instabilidade social está ao rubro, a transição
de Timor-Leste de uma situação pós-conflito
para a democracia é um exemplo de que toda a comunidade
internacional se pode e deve regozijar.
Quase quatro depois da Restauração da Independência
e após um período em que andámos para trás
do ponto de vista económico, devido à saída
de Timor-Leste de milhares de expatriados que aqueceram artificialmente
a nossa economia, estamos agora a crescer e a conduzir parte das
receitas do petróleo para onde elas devem ser aplicadas
- no investimento, na construção das infra-estruturas
essenciais do país, na educação, na saúde,
nas vias de comunicação.
É por todos estes factores que, numa época conturbada,
em que os homens parecem falhos de norte e a crença num
amanhã melhor se afigura diminuta, o exemplo da recuperação
de Timor-Leste enquanto Estado pode ser motivo de estudo e de
publicidade - e não apenas pelos académicos que
gostam de descobrir as excepções. Longe de sermos
um tigre asiático ou uma micro bolsa especulativa, estamos
no caminho para, com gestão cuidada, rigorosa e transparente,
sermos um exemplo também na prossecução do
objectivo comum das Nações Unidas, do Banco Mundial,
do Millennium Challenge Corporation, mas sobretudo do Governo
de Timor-Leste, de contribuirmos para a erradicação
da pobreza.
É por isso importante que juntos possamos repensar o papel
do Banco Mundial em Timor-Leste. Sobretudo quando, agora, nos
propomos levar avante um arrojado programa de investimentos públicos
superior a 82 milhões de dólares nos próximos
anos fiscais. Contamos com a instituição que o senhor
tão prestigiosamente lidera para nos assistir, de forma
a garantirmos uma total e efectiva execução dos
mais de 400 projectos que pretendemos concluir.
Quanto a si, caro Paul Wolfowitz, espero que leve consigo para
Washington aquilo que melhor caracteriza os timorenses: a imagem
de um povo lutador. Se no passado a luta foi pela libertação
e independência nacionais, hoje a luta é contra a
pobreza e pelo desenvolvimento, luta da qual, com o apoio da comunidade
internacional e nomeadamente do Banco Mundial, estou certo vamos
sair vitoriosos.
Muito obrigado.
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