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Discurso de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro, Dr. Mari Bim Amude Alkatiri, Conferência sobre "Desenvolvimento e Oportunidades de Investimento em Timor-Leste" Díli, 22 de Fevereiro de 2006

Sua Excelência Senhor Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio
Senhor Secretário de Estado para a Cooperação, Prof. Dr. João Cravinho
Caros colegas membros do Governo
Senhoras e senhores empresários

Quero começar por saudar a presença de Vossa Excelência, Senhor Presidente e de todos os participantes neste encontro e exprimir a minha convicção da importância do mesmo.

Apraz-me estar aqui a dirigir a Vossas Excelências algumas palavras sobre o investimento em Timor-Leste.

Conheceis já, alguns de vós, as condições de investimento desde que Timor-Leste se tornou um Estado independente, reconhecido internacionalmente.

Ao longo destes poucos anos, o Governo criou condições para que fosse possível desenvolver o país. Realizaram-se progressos na reabilitação de serviços e infra-estruturas básicas. Foram igualmente criadas as instituições de um Estado democrático e fortalecidas as capacidades do sistema da administração pública.
O Governo tenciona, a longo prazo, criar as condições necessárias para imprimir um forte crescimento económico assente no sector privado.
O eixo central do plano de desenvolvimento económico de Timor-Leste é a criação de uma economia de mercado competitiva e regulada com eficiência.

A situação económica de Timor-Leste ainda é bastante fraca porque muito dependente das receitas de hidrocabonetos. Timor-Leste é um dos países mais pobres da Ásia.
A procura de uma pequena economia como é a do nosso país não pode determinar o desenvolvimento. Por isso teremos que ser um país aberto ao mundo na atracção dos investidores e na relação com o mundo global porque a resposta é a procura de mercado externo para produtos e serviços. Contudo, não podemos nunca perder de vista os objectivos de desenvolvimento - i.é, provocar o crescimento económico para erradicar a pobreza.

Para que se possa haver rapidamente um crescimento económico e redução da pobreza no âmbito do Plano de Desenvolvimento Nacional e dos Objectivos do Milénio, as estratégias do Governo compreendem os seguintes desafios:
- Desenvolvimento de modo a que os cidadãos timorenses possam sentir de imediato benefícios palpáveis no seu dia-a-dia;
- Promoção do crescimento e do investimento para que se atinja o nível de crescimento económico que permita a absorção de uma força de trabalho em rápido crescimento e a melhoria dos níveis de rendimentos;
- Promoção de investimento privado como fonte principal de crescimento a longo prazo em actividades de agricultura, comércio e actividades não-agrícolas que se poderá conseguir através do desenvolvimento de um quadro legal e da construção de infra-estruturas públicas de modo a apoiar o crescimento empresarial;
- Aumento, a curto prazo, de actividades públicas de construção e resposta às necessidades imediatas das franjas mais vulneráveis da população.

Tal como disse, o sector privado deve tornar-se cada vez mais a principal fonte de crescimento e de emprego em Timor-Leste. O Governo reconhece que é necessário um grande esforço para estimular as empresas e o investimento privado, por isso priorizou logo no início a criação de um quadro legal que regulamenta e garante os investimentos nacional e estrangeiro.
O Governo reconhece a necessidade de desenvolver as empresas de forma a garantir um progresso continuado e de ter uma economia impulsionada essencialmente pelo sector privado.

Estão em vigor as novas leis de investimento interno e externo, legislação sobre seguros, cooperativas, sociedades comerciais e falências, terras e propriedades, arrendamento de propriedades do Estado e entre os privados, bem como legislação sobre o petróleo, os códigos de processo penal e civil e o regime jurídico do notariado, entre outras.

No plano das instituições, a reestruturação do Governo teve também em vista dar novo alento à área económica. Assim, em Junho do ano passado, reestruturou-se o Governo de forma a avançar com programas e medidas mais ousadas de cumprimento das metas e objectivos do Plano de Desenvolvimento Nacional, no que toca à prestação de serviços com resultados mais palpáveis para as populações. Ainda neste âmbito, criaram-se as agências para a Promoção de Investimentos e Exportações e para Apoio ao Desenvolvimento Empresarial, instituições importantes na área económica. A Autoridade Bancária e de Pagamentos será, em breve, transformada em banco central.

A educação tem sido uma das prioridades deste Governo, que tem feito esforços no sentido de melhorar a eficiência interna das escolas e a qualidade dos professores.
A formação de mão-de-obra, a curto prazo, tem tido atenção deste Governo. O Executivo preocupa-se em dar formação profissional a jovens timorenses para poderem lançar-se no mercado de trabalho. Criou centros profissionais e celebrou acordos para formação de trabalhadores timorenses no estrangeiro.
O Governo continua empenhado em melhorar o sector da justiça. Tomou medidas drásticas nesta área com o objectivo de melhorá-la e inspirar confiança. Os magistrados judiciais e do Ministério Público estagiários continuam a receber formação e espera-se que em 2007 estejam habilitados para assumir funções que actualmente estão a ser desempenhadas por profissionais internacionais.

No sector da ordem pública, a Polícia Nacional de Timor-Leste tem vindo a melhorar gradualmente. Na área da segurança, apesar de ter havido alguma evolução, as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste necessitam de mais formação. Apesar de haver ainda muitas deficiências na polícia e nas forças armadas, ambas as instituições têm cumprido as suas tarefas de forma positiva, garantindo ao país, paz, ordem e segurança, factores essenciais para o desenvolvimento económico de Timor-Leste.

Antes de terminar, quero transmitir a Vossas Excelências que Timor-Leste é um país estável e seguro para se investir. Existem grandes potencialidades neste jovem país onde tudo está por explorar. Algumas delas são o petróleo e o gás natural, que muito se tem falado na comunicação social, mas também o turismo, a agricultura, as pescas, a construção em geral, as finanças, a banca e outras mais. São também grandes desafios económicos que se abrem em Timor-Leste e para Portugal.

A distância geográfica entre Portugal e Timor-Leste não obsta a que possamos estabelecer e desenvolver excelentes relações económicas. Num mundo cada vez mais interdependente e globalizado torna-se necessário o estabelecimento destas relações, quanto mais entre os nossos dois povos que partilham uma história comum de mais de quatrocentos anos de convivência.

Timor-Leste tem as portas abertas aos investidores portugueses que queiram vir investir. Estamos cientes que a nossa cooperação através de trocas económicas e comerciais será mutuamente benéfica.

Senhor Presidente,

Em nome do Governo e do Povo desejo a Vossa Excelência uma boa estada neste nosso e vosso país, Timor-Leste.

Muito obrigado.

 

 

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