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Discurso de S.E. o Primeiro-Ministro na sessão de abertura da oficial do novo ano legislativo, Díli, Parlamento Nacional, aos 21 de Setembro de 2004

Excelência Senhor Presidente da República!
Excelência Senhor Presidente do Parlamento Nacional!
Excelência Senhor Presidente do Tribunal de Recurso!

Senhoras e Senhores Deputados!

Caros Colegas membros do Governo!

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

Permitam-me, que me dirija ao senhor Presidente do Parlamento Nacional e dizer que, em nome do Governo, agradeço o convite que me foi endereçado por Vossa Excelência para falar perante esta augusta Assembleia nesta sessão solene de abertura do novo ano legislativo.

Este seu gesto, senhor Presidente, reflecte de um modo inequívoco a postura de um Estadista que procura imprimir uma dinâmica na relação entre os órgãos de soberania de modo que esta prática se enraíze dando lugar a uma cultura institucional a que todos nós devemos aderir, prática e cultura traduzidas na necessidade de se desenvolverem mecanismos de cooperação, de coordenação e de entendimento na relação interactiva entre os quatro pilares do poder de Estado, não obstante o respeito pelas suas independências e suas respectivas competências plasmadas na Constituição e nas Leis.

Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente do Parlamento Nacional,
Senhor Presidente do Tribunal de Recurso,

Excelências!

Senhoras deputadas e Senhores deputados!
Caros colegas membros do Governo,

Senhoras e Senhores!

A nossa Independência foi restaurada a pouco mais de dois anos. Herdamos do passado longínquo e próximo um vazio institucional a todos os níveis - vazio de memória institucional, de instituições com os seus correspondentes quadros políticos e jurídicos e, como consequência, vazio de vida e cultura institucionais.

Nos últimos dez anos da nossa resistência, o grande esforço do ocupante, não obstante as suas próprias contradições, priorizava a transformação das nossas mentes e a conquista dos nossos corações. Podemos concluir hoje, sem o mínimo de sentido de ofensa, que em grande medida conseguiram transformar as mentes, habituando-nos ao seu estilo de vida, a sua forma de tratamento da res publica, à sua prática de corredores de influência no exercício do poder,etc. e etc. Mas não conquistaram os nossos corações. Somos e continuaremos a ser nós mesmos, nesta relação indestrutível com a Terra que nos viu nascer e que acolheu nas suas entranhas milhares de heróis e mártires - Timor-Leste. Não estarei a ofender a nossa Constituição se disser: somos e continuaremos a ser o povo maubere. Maubere como uma realidade social e política dinâmica onde a cidadania se afirma cada dia encontrando os seus próprios caminhos para se erguer dos escombros e se afirmar perante o mundo como parte de uma comunidade global das Nações.

Senhores Presidentes!

Excelências!

O nosso Parlamento Nacional nasceu da transformação da Assembleia Constituinte eleita democraticamente no ano de 2001.

Desde a sua eleição, este colectivo adoptou por uma indiscutível e incontornável maioria de votos a Constituição da República Democrática de Timor-Leste, nossa Lei Fundamental que torna evidentes as nossas opções de carácter sistémico e estruturantes do Estado Democrático e de Direito que queremos construir no nosso país.

Coerente com as nossas opções constitucionais, aderimos e ratificamos várias convenções e tratados internacionais, dentre eles, as Convenções sobre os direitos civis e políticos, sobre os direitos económicos e sociais, etc.. Deste modo, recebemos na nossa ordem jurídica princípios e normas de direito internacional que interpretam e promovem valores universais de justiça, igualdade e de dignidade do ser humano.

Paulatinamente, por iniciativa legislativa do Governo e não só, muitas propostas de leis estruturantes do Estado e outras de gestão da vida política, social, económica, financeira, comercial foram apresentadas a este Parlamento e, em seu tempo, devidamente consideradas, debatidas, adoptadas por Vossas Excelências e enviadas para promulgação por Sua Excelência o Senhor Presidente da República. Podemos hoje orgulhar-nos de termos vindo a lançar, pedra sobre pedra, os elementos básicos do complexo edifício que é o Estado Democrático e de Direito - a República Democrática de Timor-Leste.

Excelências!

Para o novo ano legislativo que hoje se inicia formalmente, esperam-nos, Governo e Parlamento, trabalhos de grandes proporções, tais como o Código Penal, o Código do Processo Penal, o Código Civil, o Código do Processo Civil, a revisão do Estatuto da Magistratura Judicial e a adopção de outras Leis estruturantes do Sistema de Justiça bem como outras relacionadas com a organização da vida económica e social como as Leis de Investimento, e a Lei que estabelecerá o Fundo de Petróleo, Lei sobre actividade seguradora, outros diplomas relacionados com a exploração de hidrocarbonetos e de outros minérios, etc. Pelo volume de trabalho que nos espera, o Governo considera, pela primeira vez, o recurso a autorização legislativa do Parlamento de modo a poder tornar mais célere o processo e assim responder prontamente às exigências do processo de desenvolvimento do país.

Vamos ainda no ano legislativo que se inicia abordar em conjunto questões que se prendem com a Justiça vs Reconciliação. É uma questão inadiável e incontornável a que devemos enfrentar e encontrar uma posição única para Timor-Leste.

No entanto, temos em mãos a questão dos veteranos e dos antigos combatentes. Como Governo, continuaremos a cooperar com o Parlamento Nacional no sentido de se equacionar este assunto nacional tão sensível quão importante de modo a que as soluções que vierem a ser encontradas sejam dignas e possam ser assumidas por todo o nosso povo.

Dentro de pouco mais de dois anos o nosso povo será de novo chamado às urnas para decidir.

Os recentes exercícios levados a cabo pelo Governo com sucesso, i. é., o recenseamento eleitoral e o censo populacional, indicam um crescimento substancial do número de votantes e, naturalmente, da população em geral para, respectivamente, cerca de 481 mil votantes e 924,642 habitantes.

Importa pois ao Governo e ao Parlamento trabalharem no sentido da adopção de Leis reguladoras da divisão administrativa do País e das eleições gerais e presidenciais.

Precisamos de redobrar esforços no sentido de reforçar o sistema democrático de modo a que os servidores do Estado se adequem às novas filosofias, aos novos métodos, às novas formas de estar que todos queremos incutir no seio da nossa sociedade. Devemos todos ser firmes na prevenção da corrupção, do nepotismo, do conluio, e implacáveis no combate dos mesmos vícios. É tempo de transformações, sendo a mais dura, a transformação das mentalidades.

Senhor Presidente da República!
Senhor Presidente do Parlamento Nacional!
Senhor Presidente do Tribunal de Recurso!

Senhoras e Senhores Deputados!
Caros Colegas Membros do Governo!
Distintos Representantes do Corpo Diplomático
Distinto Representante do Secretário Geral da ONU

É tarefa primeira desta geração de Líderes, onde se mistura o passado e o presente, a edificação do Estado como uma instituição sólida, democrática e de direito. Um estado com uma vida institucional natural e fluída. Um País onde a cidadania não significa a prevalência do direito dos indivíduos sobre o do colectivo. Um País democrático e de justiça social onde o combate à pobreza é assumido como a nova causa nacional, porque a pobreza ela própria é a maior violação dos direitos humanos. É esta a tarefa de todos nós: Os órgãos do Estado, a Sociedade Civil, as Confissões religiosas, a sociedade tradicional, o Sector privado e cooperativo, etc. Ninguém deverá ser excluído desta luta que é, em última análise, a da Libertação do povo da fome, da doença, da nudez, de uma qualidade de vida inaceitável para o comum dos mortais.

Excelências!

Tenho dito.
Muito obrigado

 

 

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