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Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento, Discurso de Encerramento pelo Dr. Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro, Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

Excelências,
Vice-Presidente Kassum,
Senhoras e Senhores

Chegámos à fase final desta Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento. As discussões durante o último dia e meio foram francas, frutuosas e produtivas. Apraz-nos verificar que o nosso diálogo convosco, nossos parceiros de desenvolvimento, está a ajudar a fortalecer ainda mais a nossa parceria, por forma a melhor ajudar o nosso povo.

Antes desta Reunião, tivemos oportunidade de estar presentes na Reunião do Conselho do FFTL na manhã de segunda-feira. Também ela ofereceu um fórum para uma troca cândida de pontos de vista entre o Governo e os parceiros de desenvolvimento que contribuíram para o FFTL, bem como com o Banco Mundial e o Banco Asiático para o Desenvolvimento, entidades estas que administraram o fundo. Estamos felizes com os pontos de vista muito positivos expressados nessa reunião relativamente a mais cooperação.

Ontem alguns de vós levantaram certas questões. Esta manhã irei reiterar as respostas:

1. Tradução das legislações em acções

Continuaremos a fazer os nossos melhores esforços no sentido de implementar as leis e regulamentos no terrenos, à medida que vamos desenvolvendo as capacidades das várias agências. A lei sobre o Provedor de Direitos Humanos e Justiça foi aprovada pelo Parlamento e promulgada pelo Presidente. Fizemos também uma provisão no orçamento para o estabelecimento do gabinete do Provedor, sendo que o meu Assessor de Direitos Humanos organizou algumas campanhas preliminares sobre o cargo a ocupar. O Parlamento é responsável pela nomeação do Provedor. Uma vez nomeado, o Provedor é responsável pelo funcionamento do gabinete, incluindo a recepção de queixas, a condução de investigações, o empreendimento de acções correctivas e a prestação de contas sobre o seu trabalho ao Parlamento. Iremos encorajar o Parlamento a prosseguir com a nomeação do Provedor dentro do mais curto espaço de tempo possível, bem como a fornecer o apoio necessário ao gabinete do Provedor, reconhecendo contudo a autonomia destas entidades.


2. Os Papeis Evidemtes da PNTL e das F-FDTL

As leis orgânicas sobre a PNTL e as F-FDTL foram aprovadas. De igual modo, a Lei Orgânica para o Gabinete do Presidente da República foi aprovada pelo Parlamento. A definição dos papeis e responsabilidades pode ficar melhor clarificada após o estabelecimento do Conselho de Estado e do Conselho Supremo da Defesa. O Gabinete do Presidente da República tem a responsabilidade de iniciar o estabelecimento destes Conselhos para aprovação pelo Parlamento. Neste campo, iremos encorajar os respectivos órgãos de estado a cumprirem os seus mandatos no próximo ano fiscal e a prestarem a assistência que for apropriada.

3. Instituições do Sector da Justiça

Estamos plenamente cientes da enormidade da tarefa de construir as instituições do sector da justiça praticamente a partir do nada. Mesmo nos países mais estabelecidos, o desenvolvimento completo de tais instituições demora uma década ou mais. Fomos capazes de estabelecer as instituições relevantes e iremos concluir as leis relacionadas e o estabelecimento do Conselho Superior para a Procuradoria e Defensores Públicos durante o AF de 2004-05. O fortalecimento destas instituições demorará muito mais tempo. A nossa principal prioridade diz respeito à operação dos tribunais de Distrito através, entre outras medidas, do uso de Juizes, Procuradores e outro pessoal legal internacionais. Agradecemos o apoio modesto até aqui por parte dos nossos parceiros, incluindo Portugal e a Noruega, através do projecto do PNUD, bem como o prometido financiamento para o sector da parte da Austrália. Procuramos apoio adicional da parte dos nossos parceiros de desenvolvimento, por forma a tornar o estado de direito uma realidade no país num futuro próximo.

4. Fundo Petrolífero

Tal como foi indicado ontem, pretendemos estabelecer o fundo petrolífero durante os próximos 12 meses. O fundo será estabelecido após ampla consulta com todas as partes interessadas, incluindo parceiros de desenvolvimento. Será baseado no princípio da justiça entre gerações, incluindo provisões de governação adequadas para poupanças, investimentos e utilização de rendimentos. Espera-se que as disposições sejam transparentes e prevejam salvaguardas adequadas.

Até à data, as operações do Governo relativamente às receitas do Mar de Timor têm sido consistentes com os princípios da dita "Iniciativa de Transparência das Indústrias Extractivas". Tencionamos utilizar estes mesmos princípios após a criação do fundo petrolífero. Isto irá obrigar o Governo a divulgar na totalidade os pagamentos efectivos ao Governo por parte dos operadores.

O FMI e o Governo da Noruega deverão fornecer apoio técnico em relação ao estabelecimento do fundo petrolífero, uma das acções a serem implementadas sob o PAT III.


5. Sector Privado

Estamos a avançar com um pacote de leis e regulamentos para criar um ambiente e um quadro propícios ao sector privado, tanto doméstico como internacional, com a devida atenção ao funcionamento das instituições necessárias à implementação do quadro, incluindo em particular actividades com vista a estimular novos investimentos e a expandir as oportunidades de emprego. Os principais instrumentos legais a finalizar e / ou aprovar no próximo ano fiscal incluem as leis de empresas e investimentos; seguros, bancarrota e insolvência, cooperativas, o sistema bancário, contratos e leis colaterais; regulamentos vitais relativos a terras e propriedades, e mais regulamentos sobre o arrendamento de propriedades pertencentes a privados e ao Governo. As actividades relativas ao registo de terras e propriedades, registo de cadastro e mecanismos de mediação de disputas sobre terras e propriedades serão seguidas com o intuito de criar um mercado privado para vendas de terras e propriedades, aumentar o número de títulos de terras e propriedades confirmados, e dar início a concessões e a licenciamentos para uso ou operação.

De igual modo, estamos a preparar o estabelecimento de uma Agência de Promoção de Exportações para ser o único fornecedor de informações com vista à atracção de investimento nacional e estrangeiro directo destinado a contribuir para a criação de novos empregos. O sector empresarial local está a ser desenvolvido através de um programa nacional específico para o dito sector.

Ao mesmo tempo iremos lidar com algumas das barreiras burocráticas que as empresas enfrentam nas suas operações diárias. Iremos transferir o registo de empresas para o Ministério da Justiça durante o AF de 2004-05. De igual modo, a introdução e a total implementação do sistema ASYCUDA deverá acelerar o processo de desalfandegamento de bens, reduzindo assim a margem de manobra para atrasos e custos burocráticos.


1. Corrupção

Como disse muitas vezes, assumimos uma postura de "tolerância zero" para com a corrupção, para com o uso indevido ou apropriação indevida de fundos. As nossas recentes acções são uma constatação disso. A Lei Orgânica para o Gabinete do Inspector Geral será apresentada ao Conselho de Ministros no início do próximo ano fiscal. O Gabinete que está sob a tutela do meu Gabinete, será fortificado relativamente ao seu papel de auditor interno do Governo, de modo a poder assim continuar o seu programa de inspecções e disseminar os seus relatórios, sem duplicar as funções do Provedor. O Gabinete do Inspector Geral irá reportar vigorosamente quaisquer actos criminosos ou de má fé ao Procurador Geral, sempre de acordo com os procedimentos instituídos.

O Gabinete do Inspector Geral juntamente com o Gabinete do Provedor, utilizando os procedimentos disciplinares recentemente aprovados no Estatuto da Função Pública irá constituir salvaguardas adequados contra a corrupção e o abuso de poder na função pública.

Agradecemos a proposta que o Banco Mundial nos fez no que diz respeito a assistirmos a fazer um levantamento sobre comportamento burocrático e obstáculos.

2. Desenvolvimento de Capacidades

Como a Vice-Ministra do Plano e das Finanças indicou esta manhã, reconhecemos que a formulação de uma estratégia de desenvolvimento de estratégia a médio prazo é mais complexa do que tínhamos inicialmente pensado. A nossa unidade de Coordenação e Desenvolvimento de Capacidade irá trabalhar com os Ministérios, Secretarias de Estado, Agências e entidades independentes, como também com a UNMISET e o PNUD e outros parceiros para preparar a proposta da estratégia durante os próximos meses. Irá centrar-se no desenvolvimento da capacidade institucional por parte de cada entidade, incluindo estratégias de saída para os assessores estrangeiros. Agradecemos a participação acticva e o apoio dos parceiros de desenvolvimento neste processo.


Recebemos com agrado a proposta do Banco Mundial para trabalhar com o Governo e outros parceiros para formular e implementar um programa de desenvolvimento de recursos humanos para o Ministério do Plano e das Finanças. Este pode ser um bom modelo para seguir, fortalecendo assim a capacidade de outros Ministérios e Agências.


Permitam-me agora abordar o panorama fiscal a médio prazo e a favorável resposta por vossa parte, os parceiros de desenvolvimento, relativamente ao nosso pedido para estender o apoio orçamental ao abrigo do Programa de Apoio à Transição, aos níveis correntes para os anos fiscais 2005-06 e 2006-07. Iremos trabalhar convosco para os traduzir em promessas concretas durante a próxima reunião com os Parceiros de Desenvolvimento.

Como mencionado pela Vice-Ministra esta manhã, planeamos completar os Programas de Investimento Sectorial ou PIS, para os 14 sectores até Agosto. Desejo também dar ênfase ao facto que consideramos este como sendo um exercício conjunto entre o Governo e os Parceiros de Desenvolvimento. Planeamos integrar o PIS no enquadramento das Fontes Combinadas durante a Revisão Semestral do Orçamento do AF2004-05, e no Orçamento de 2005-06 e no programa de despesa a médio prazo

O exercício do PIS também nos irá conceder a oportunidade de explorar em termos concretos as melhores modalidades alternativas ao Fundo Fiduciário de Timor-Leste mas que possa servir para que os parceiros de desenvolvimento possam canalizar o futuro apoio a Timor-Leste mas for do âmbito do orçamento do Fundo Consolidado de Timor-Leste. Planeamos que esta actividade seja feita juntamente com outros parceiros de desenvolvimento para criar um enquadramento mutuamente aceite para coordenar o apoio dos doadores, mas com a adequada flexibilidade para acomodar as preferências dos parceiros.

Para concluir, desejo expressar em nome do Governo e do povo de Timor-Leste, o nosso apreço pela vossa compreensão e contínuo apoio ao desenvolvimento do nosso país. Iremos fazer o melhor para ir de encontro às expectativas do nosso povo e dos nossos parceiros de desenvolvimento.

Para aqueles que se vão embora hoje, desejo-vos bon voyage.

Os que ainda ficam por mais alguns dias, sugiro que visitem as praias e o campo e que gozem as águas e o maravilhoso cenário.

Muito obrigado.

 

 

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