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Discurso de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro Dr. Marí
Alkatiri na cerimónia em memória de Sérgio
Vieira de Melo, morto em Bagdade, em 19 de Agosto de 2003
Sua Excelência Senhor Presidente da República, Kay
Rala Xanana Gusmão
Sua Excelência Representante Especial do Secretário
Geral, Senhor Sukehiro Hasegawa
Caros Colegas membros do Governo
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Faz hoje um ano que morreu o nosso amigo Sérgio Vieira
de Mello, amigo e irmão de Timor-Leste. A sua morte foi
profundamente sentida em Timor-Leste.
Sérgio Vieira de Mello foi um dos melhores funcionários
das Nações Unidas. Esteve à frente de alguns
países com grandes desafios humanitários e de manutenção
da paz.
Era uma pessoa talentosa, inteligente e pragmática, dedicou-se
profundamente na implementação dos princípios
que norteiam as Nações Unidas. Foi um incansável
combatente pela defesa dos direitos humanos e defensor dos ideais
humanitários. Pelo seu passado e pelo seu profissionalismo
era de facto a pessoa indicada para estar a frente das Nações
Unidas no Iraque. Não foi também surpresa vê-lo
ser nomeado pelo Secretário Geral da ONU Koffi Annan para
estar a frente da Comissão dos Dirietos Humanos.
Tive o prazer de trabalhar com ele durante os anos que esteve
em Timor-Leste como Administrador Transitório das Nações
Unidas. Guardo dele muitas recordações.
O nosso amigo e irmão Sérgio Vieira de Mello foi,
mais uma das vítimas inocentes da intolerância, do
extremismo e do terrorismo.
Vemos diariamente nos órgãos da comunicação
social actos terroristas que ceifam vidas de pessoas inocentes.
Como cidadãos e como país condenamos estes actos
criminosos. Timor-Leste junta a sua voz às vozes contra
o terrorismo.
O atentado bombista que ocorreu a um ano atrás atingindo
fatalmente Sérgio Vieira de Mello, funcionários
das Nações Unidas e outras pessoas, é um
crime contra a comunidade internacional e contra o povo iraquiano.
A comunidade internacional deve empenhar-se sem reservas no combate
ao terrorismo.
O Governo quer expressar o mais vivo repúdio pelos selváticos
atentados verificados em várias partes do Mundo até
hoje, Bali, Madrid, Nairobe, Bagdade, etc.
Quero expressar em nome de todo o Povo de Timor-Leste os sentimentos
de indignação e repúdio por estes crimes
e a solidariedade com a família de Sérgio Vieira
de Mello e dos outros que morreram com ele, no ano passado, em
Bagdade.
Estes atentados visam o próprio sistema democrático
e o estado de Direito no Mundo. É um ataque aos valores
civilizacionais partilhados pela Comunidade Internacional.
A Comunidade Internacional não deve abrandar o combate
a este flagelo.
O terrorismo é um crime contra a humanidade, um ataque
aos nossos valores de paz, de liberdade e de democracia. Um crime
ignóbil. Porque o terrorismo - todo o terrorismo - é
um mal absoluto.
Lutar contra o terrorismo é lutar pela humanidade, é
afirmar o primado da paz e da liberdade contra a lei da selva,
da violência e da destruição.
O terrorismo não poupa nada nem ninguém. Nem sequer
as Nações Unidas ou a Cruz Vermelha Internacional.
Muito menos os valores da paz e da dignidade das pessoas que as
Nações Unidas representam.
O terrorismo obedece a uma lógica transnacional. Combatê-lo
de forma eficaz reclama um esforço da comunidade internacional.
Julgo que a aproximação e a cooperação
entre os países são a resposta mais eficaz à
defesa da democracia, da liberdade, da segurança e dos
direitos dos nossos cidadãos. Mas é às Nações
Unidas que deve caber um papel central na articulação
de uma estratégia global de combate ao terrorismo.
Sérgio Vieira de Mello, um homem de paz, um alto responsável
das Nações Unidas morreu às mãos do
terrorismo, morreu pela humanidade, conquistou um lugar na história
do nosso país.
Foi um amigo e um irmão de Timor-Leste.
Obrigado !
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