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Discurso de improviso de S.E. o Senhor Primeiro-Ministro na cerimónia no Parlamento Nacional sobre a Comissão da Verdade e Amizade - Díli, 3 de Março de 2005

Senhores Presidente da República

Presidente do Parlamento Nacional

Presidente do Tribunal de Reccurso

Senhoras e Senhores Deputados

Senhores Embaixadores, Corpo Diplomático

Colegas Membros do Governo

Senhores Comandantes das F-FDTL e PNTL

Senhoras e Senhores convidados

Quando existe um conflito sempre se procura uma solução para o mesmo ou no fim do conflito procede-se em busca de uma solução para que possa haver estabilidade. Todos nós conhecemos que pelo mundo fora tem-se criado comissões de procura da verdade com o objectivo de estabelecer e criar plataformas para o consenso e de encontrar plataformas para a reconciliação. Mas os exemplos que têm acontecido até hoje são sempre de criação de comissões à nivel nacional para resolver situações dentro do mesmo país, dentro do mesmo Estado. Este é o primeiro exemplo em que dois países embarcam na procura de uma solução, na procura da verdade para reforçar a amizade, no interesse dos dois países. São países vizinhos, Timor-Leste e Indonésia, que procuram avançar para a consolidação da amizade criando uma plataforma para a consolidação da nossa amizade. É dentro deste espírito que é criado a Comissão da Verdade e da Amizade. Foi decidido entre os Chefes de Estados e dos Governos, de forma objectiva e sem complexos. Naturalmente, que todos também sabemos das medidas que tem sido tomadas ao longo destes últimos anos num e noutro país para se fazer a justiça. O Senhor Presidente do Parlamento Nacional já mencionou aquí as medidas, não vou repetí-las. É com esta Comissão de Verdade e Amizade que se poderá encontrar os mecanismos para ajudar a acelerar este processo . Os Termos de Referência desta Comissão, são claros. Esta Comisssão não irá substituir as Instituições já criadas. Visa buscar a verdade e a amizade. Não terá poderes para tomar decisões definitivas ou finais.

Em termos de princípios é bem claro no ponto 13, alínea e) dos Termos de Referência. Será sem prejuízo das medidas já tomadas até hoje no que toca aos Crimes Graves e o Tribunal Ad Hoc. A Comissão não os substituirá. É também do conhecimento de todos que o Secretário-Geral das Nações Unidas, acabou de criar a Comissão de Peritos para rever todos os processos até aquí tratados pela Unidade de Crimes Graves e, se houver acordo da Indonésia, do Tribunal Ad Hoc. O nosso Estado e Governo já fez saber ao Secretário-Geral da ONU que receberá a Comissão de Peritos. São dois processos que se podem complementar-se mas que não se colidem entre a Comissão da Verdade e Amizade e a Comissão de Peritos.

A composição da Comissão, como consta nos Termos de Referênca, é clara. São pessoas independentes de cada lado. O Senhor Presidente da República irá detalhar muito mais quando sobre este assunto abordar.

A razão que está na base da criação da Comissão é fundamentalmente o reforço das relações entre Timor-Leste e a Indonésia. Os líderes estão cientes que isto só será possível abrindo as páginas do passado. É um acto de coragem mas próprio da democracia.

De uma democracia na Indonésia, de um país complexo, com milhares de ilhas, que vem dum sistema extremamente rígido, inflexível e que agora pretende, realmente, avançar no sentido de se consolidar a mudança e de criar mais uma das maiores democracias do Mundo.

Um caminho ainda muito longo a percorrer mas dou como exemplo as últimas eleições. A Indonésia caminha decididamente para um país de Estado de Direito. Por outro lado, um país, nosso Timor-Leste, que nasceu de uma dura luta, de mais de 20 anos, que se afirma por vocação própria.

São duas jovens democracias, nas suas próprias situações de vizinhos procuram abrir as páginas do passado recente como forma de reforçar as suas relações.

Repito que a Comissão de Verdade e Amizade terá, simplesmente, poder de fazer recomendações não substituirá a Unidade de Crimes Graves nem o tribunal Ad Hoc da Indonésia. Terá limite de um ano e máximo de dois. O Senhor Presidente da República explicará melhor.

Muito Obrigado

 

 

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