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NOTAS BIOGRÁFICAS DE
Mari Bim Amude Alkatiri
Primeiro-Ministro


2002- presente
nascido a: 26 de Novembro de 1949

O Primeiro-Ministro Mari Alkatiri nasceu a 26 de Novembro de 1949, em Díli, Timor-Leste. Cresceu em Díli, Timor-Leste com os seus irmãos e irmãs, 10 no total. Ele passou a sua vida adulta dedicado a demonstrar a injustiça da ocupação indonésia a esta pequena nação e a corajosa luta do seu povo pela independência e liberdade. Dr. Alkatiri teve uma dedicação inabalável para com o seu país, para com os seus homens e mulheres, apoiado pela solene fé que um dia, justiça haveria de ser feita. Ele abordou líderes de opinião da comunidade internacional, incluindo grupos de


 
 

pressão na Organização das Nações Unidas durante vários anos antes de o mundo começar a dar atenção. Utilizou a sua experiência e perícia de advogado para contribuir para a ideologia e objectivos da FRETILIN, apresentando o caso repetidamente na ONU para que o sofrimento de Timor-Leste, que tinha sido ilegalmente ocupado, se mantivesse vivo na memória da ONU. Trabalhando com os seus colegas dentro e fora de Timor-Leste, o Dr. Mari Alkatiri demonstrou claramente a sua devoção para com a liberdade do povo da sua terra.

O Dr. Alkatiri completou a sua educação primária e secundária em Díli. Finalizou a sua educação superior em Angola e Moçambique. Formou-se como 1970 na Escola Angolana de Geografia e mais tarde formou-se também em Direito Constitucional e Internacional pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo, Moçambique. Leccionou Direito Constitucional Privado e Público e Direito Constitucional, trabalhando de 1992 a 1998 como Consultor Legal Sénior, num Gabinete de Advocacia em Maputo. Foi um consultor para em Direito Internacional Público e Direito Constitucional para o Parlamento Moçambicano entre 1995 e 1998, e um membro do grupo que elaborou a reforma legislativa sobre Empreendedorismo em Moçambique. O Dr. Alkatiri iniciou um mestrado sobre "Direito Consuetudinário de Timor-Leste - a sua relação com a Lei Formal", sendo o seu mestrado interrompido com o seu regresso a Timor-Leste a 13 de Outubro de 1999.


Antes da sua partida para Angola, o Dr. Alkatiri deu início à sua actividade na luta pela independência em Janeiro de 1970 através da criação de um grupo clandestino de cidadãos timorenses denominado "Movimento para a Libertação de Timor-Leste". É o único membro vivo deste groupo. Após a Revolução em Portugal a 25 de Abril de 1974, o surgimento de um ambiente aberto e livre que permitiu estruturar partidos políticos e organizações em Timor-Leste. A 20 de Maio de 1974, o Dr. Alkatiri tornou-se o co-fundador da ASDT "Associação Social Democrata Timorense". Foi nomeado como o Adjunto do Secretário-Geral da Associação. Os acontecimentos políticos durante 1974 determinaram a transformação da ASDT (uma associação política) na FRETILIN (uma frente política), a 11 de Setembro de 1974. O Dr. Alkatiri foi um membro fundador da FRETILIN e, como membro do seu Comité Central tornou-se o Secretário Adjunto para Assuntos Internacionais da Frente. O Dr. Alkatiri foi eleito Comissário Político Nacional pelo Comité Central em Outubro de 1975.

As regulares incursões militares das Forças Armadas Indonésias pela fronteira de Timor-Leste em 1975 deram origem a vários desenvolvimentos políticos em Timor-Leste, incluindo a criação da "Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste", FALINTIL, a 20 de Agosto de 1975. O Dr Alkatiri co-organizou as FALINTIL e é um dos dois últimos elementos vivos do grupo organizador.

Previamente aos eventos que levaram à invasão e subsequente ocupação de Timor-Leste, o Dr Alkatiri foi nomeado pela FRETILIN para participar na campanha para mobilizar a comunidade internacional contra a potencial invasão. Ele visitou oito nações africanas em procura de apoio e aquando do seu regresso ao país a 23 de Novembro de 1975, o Dr Alkatiri foi nomeado Presidente da Comissão que tinha como papel elaborar a Constituição de Timor-Leste como um prelúdio da Declaração da Independência.

A FRETILIN declarou a independência do país a 28 de Novembro de 1975, e proclamou a formação da República Democrática de Timor-Leste. O Dr. Alkatiri foi nomeado como Ministro Sénior e Plenipotenciário para os Assuntos Políticos.

Como directa consequência das incursões e infiltrações fronteiriças, deparado com a iminente invasão do país pelas forças militares indonésias, o Vice-Presidente e Primeiro Ministro de Timor-Leste, Nicolau Lobato, pediu ao comité central da FRETILIN para enviar uma delegação para o estrangeiro para mobilizar a comunidade internacional e tentar evitar a invasão. O Dr. Alkatiri foi um membro desta delegação que deixou o país a 4 de Dezembro de 1975 (três dias antes da invasão acontecer). Ele foi um dos três líderes timorenses no último voo para fora de Timor-Leste antes da invasão. O voo foi organizado por David Scott AO, fundador da Community Aid Abroad. Como Chefe do Departamento Externo da FRETILIN, o Dr. Alkatiri esteve sito em Moçambique até 1999.

A primeira experiência no estrangeiro do Dr. Alkatiri como Chefe da Delegação Externa da FRETILIN foi em Dezembro de 1975 no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que subsequentemente adoptou uma resolução para condenar a Timor-Leste por parte da Indonésia.

Em 1977, o Dr. Alkatiri foi nomeado Ministro para as Relações Externas do Governo da República Democrática de Timor-Leste no exílio. De 1975 a 1982, o Dr. Alkatiri participou em todas as sessões da Quarta Comissão da Organização das Nações Unidas.

Em 1982, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou uma Resolução solicitando ao Secretário Geral para "iniciar consultas com todas as partes de modo a procurar meios para alcançar uma solução compreensiva para o problema de Timor-Leste e para que se pudesse proceder ao relatório para a Assembleia Geral (Resolução 37/30 de 23 de Novembro de 1982). O Dr. Alkatiri participou em todas as rondas de consultação convocadas pelo Secretário Geral da ONU e de 1983 em diante, em todas as sessões da Comissão da ONU para os Direitos Humanas relacionadas com Timor-Leste. Liderou também a delegação de Timor-Leste durante a Conferência Ministerial do Movimento Não-Alinhado em 1985 e em numeroso eventos internacionais onde a causa de Timor-Leste era abordada. No início dos anos 90, o formato do processo de consultação foi alterado, com a criação de conversas trilaterais entre a ONU, a Indonésia e Portugal (o poder administrativo de jure em Timor-Leste). O Dr. Alkatiri participou activamente neste processo e também no Diálogo "Um Timor-Leste Abrangente" patrocinado e mediado pela ONU e que teve inicio em 1995.

Em 1994, o trabalho diplomático desempenhado pelos representantes da resistência no estrangeiro foi reconhecido como um dos três componentes decisivos da luta pela libertação (juntamente com as frentes armadas e clandestinas). O Dr Alkatiri foi nomeado como um dos quatro membros da Comissão Coordenadora da Frente Diplomática.

Como parte dos grandes ajustamentos à Resistência iniciada em meados dos anos 80, a Resistência reestruturou a sua organização para se tornar a "Convenção Nacional Timorense na Diáspora" em Abril de 1998. O que deu origem ao estabelecimento do Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT) - uma organização mãe de todas as organizações políticas para a independência. O CNRT adoptou a "Magna Carta", um documento que delineava o futuro de Timor-Leste. Este documento foi apresentado à comunidade internacional como sendo a visão da "Resistência" para o futuro do novo Estado de Timor-Leste. O Dr Alkatiri foi o autor do documento. Durante a convenção ele foi eleito membro da Comissão para a Política Nacional do CNRT.

Em Agosto de 1999, o Dr. Alkatiri foi nomeado pelo Presidente do CNRT, Xanana Gusmão, para se encarregar das questões ligadas ao Mar de Timor em nome da Resistência. Sob a sua orientação, o Acordo do Mar de Timor (mais tarde o Tratado do Mar de Timor) foi negociado com sucesso com a Austrália), com uma distribuição na percentagem de 90:10 em favor de Timor-Leste. Sob a liderança do Dr. Alkatiri, Timor-Leste negociou os termos para a exploração do campo Bayu-Undan com a ConocoPhillips, um grande investidor no Mar de Timor, assegurando assim para Timor-Leste uma receita estimada nos 3 mil milhões de dólares norte-americanos durante os próximos 17-20 anos. Tem também mantido uma forte posição na em garantir a delimitação das fronteiras marítimas permanentes de Timor-Leste. Uma fronteira permanente é vista pelo Dr. Alkatiri como uma parte integral do direito de Timor-Leste à auto-determinação, do mesmo modo que a fronteira terrestre define o território. Mais importante ainda, fronteiras permanentes irão permitir com que Timor-Leste tenha acesso aos recursos do Mar de Timor, permitindo assim com que Timor-Leste se desenvolva e supere os formidáveis desafios sem estar dependente de auxílio externo.

O Dr. Alkatiri foi o Coordenador Adjunto do Conselho Presidencial da FRETILIN entre Agosto de 1998 e Abril de 2001. Foi também membro do Comité Nacional Consultativo (CNC) de Timor-Leste em 2000. Em Setembro de 2001, o Dr. Alkatiri foi nomeado Ministro Chefe do Segundo Governo de Transição e Ministro da Economia e Desenvolvimento. Aquando do Dia da Restauração da Independência a 20 de Maio de 2002 - o Dr. Alkatiri foi nomeado Primeiro Ministro e Ministro do Desenvolvimento e Ambiente da República Democrática de Timor-Leste. Ele é o Presidente da Mesa da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e redigiu o Plano Nacional de Desenvolvimento.

Sob a liderança do Dr. Alkatiri, durante os primeiros dois anos de independência Timor-Leste tornou-se membro do Fundo Monetário Internacional, da Organização das Nações Unidas, Banco Mundial e Banco Asiático de Desenvolvimento. Timor-Leste é membro das Nações de Africanas, das Caraíbas e do Acordo Comercial ACP-EU. É também membro da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Timor-Leste possui o estatuto de observador no Fórum das Ilhas do Pacífico (PIF) e na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Timor-Leste excedeu as expectativas dos parceiros de desenvolvimento na área da gestão económica, reduzindo e controlando o défice orçamental. O Dr. Alkatiri incutiu uma firme política de transparência e responsabilidade a todos os níveis do Governo. Iniciou o programa da Governação Aberta em Janeiro de 2003, que percorreu quase todos os distritos com resultados positivos.

Foi concedido ao Dr. Alkatiri o prémio 'Lifting up the world with a Oneness' - durante a sessão 58 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque a Outubro de 2003. Outros recipientes incluem Nelson Mandela, o Papa João Paulo II, Madre Teresa e Mohammad Ali.

O Dr. Alkatiri e a sua esposa Marina têm três filhos, Nurima, Lukeno e Solok.

 

 

 

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