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pressão na Organização das Nações
Unidas durante vários anos antes de o mundo começar
a dar atenção. Utilizou a sua experiência
e perícia de advogado para contribuir para a ideologia
e objectivos da FRETILIN, apresentando o caso repetidamente
na ONU para que o sofrimento de Timor-Leste, que tinha sido
ilegalmente ocupado, se mantivesse vivo na memória
da ONU. Trabalhando com os seus colegas dentro e fora de
Timor-Leste, o Dr. Mari Alkatiri demonstrou claramente a
sua devoção para com a liberdade do povo da
sua terra.
O Dr. Alkatiri completou a sua educação primária
e secundária em Díli. Finalizou a sua educação
superior em Angola e Moçambique. Formou-se como 1970
na Escola Angolana de Geografia e mais tarde formou-se também
em Direito Constitucional e Internacional pela Universidade
Eduardo Mondlane em Maputo, Moçambique. Leccionou
Direito Constitucional Privado e Público e Direito
Constitucional, trabalhando de 1992 a 1998 como Consultor
Legal Sénior, num Gabinete de Advocacia em Maputo.
Foi um consultor para em Direito Internacional Público
e Direito Constitucional para o Parlamento Moçambicano
entre 1995 e 1998, e um membro do grupo que elaborou a reforma
legislativa sobre Empreendedorismo em Moçambique.
O Dr. Alkatiri iniciou um mestrado sobre "Direito Consuetudinário
de Timor-Leste - a sua relação com a Lei Formal",
sendo o seu mestrado interrompido com o seu regresso a Timor-Leste
a 13 de Outubro de 1999.
Antes da sua partida para Angola, o Dr. Alkatiri deu início
à sua actividade na luta pela independência
em Janeiro de 1970 através da criação
de um grupo clandestino de cidadãos timorenses denominado
"Movimento para a Libertação de Timor-Leste".
É o único membro vivo deste groupo. Após
a Revolução em Portugal a 25 de Abril de 1974,
o surgimento de um ambiente aberto e livre que permitiu
estruturar partidos políticos e organizações
em Timor-Leste. A 20 de Maio de 1974, o Dr. Alkatiri tornou-se
o co-fundador da ASDT "Associação Social
Democrata Timorense". Foi nomeado como o Adjunto do
Secretário-Geral da Associação. Os
acontecimentos políticos durante 1974 determinaram
a transformação da ASDT (uma associação
política) na FRETILIN (uma frente política),
a 11 de Setembro de 1974. O Dr. Alkatiri foi um membro fundador
da FRETILIN e, como membro do seu Comité Central
tornou-se o Secretário Adjunto para Assuntos Internacionais
da Frente. O Dr. Alkatiri foi eleito Comissário Político
Nacional pelo Comité Central em Outubro de 1975.
As regulares incursões militares das Forças
Armadas Indonésias pela fronteira de Timor-Leste
em 1975 deram origem a vários desenvolvimentos políticos
em Timor-Leste, incluindo a criação da "Forças
Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste",
FALINTIL, a 20 de Agosto de 1975. O Dr Alkatiri co-organizou
as FALINTIL e é um dos dois últimos elementos
vivos do grupo organizador.
Previamente aos eventos que levaram à invasão
e subsequente ocupação de Timor-Leste, o Dr
Alkatiri foi nomeado pela FRETILIN para participar na campanha
para mobilizar a comunidade internacional contra a potencial
invasão. Ele visitou oito nações africanas
em procura de apoio e aquando do seu regresso ao país
a 23 de Novembro de 1975, o Dr Alkatiri foi nomeado Presidente
da Comissão que tinha como papel elaborar a Constituição
de Timor-Leste como um prelúdio da Declaração
da Independência.
A FRETILIN declarou a independência do país
a 28 de Novembro de 1975, e proclamou a formação
da República Democrática de Timor-Leste. O
Dr. Alkatiri foi nomeado como Ministro Sénior e Plenipotenciário
para os Assuntos Políticos.
Como directa consequência das incursões e
infiltrações fronteiriças, deparado
com a iminente invasão do país pelas forças
militares indonésias, o Vice-Presidente e Primeiro
Ministro de Timor-Leste, Nicolau Lobato, pediu ao comité
central da FRETILIN para enviar uma delegação
para o estrangeiro para mobilizar a comunidade internacional
e tentar evitar a invasão. O Dr. Alkatiri foi um
membro desta delegação que deixou o país
a 4 de Dezembro de 1975 (três dias antes da invasão
acontecer). Ele foi um dos três líderes timorenses
no último voo para fora de Timor-Leste antes da invasão.
O voo foi organizado por David Scott AO, fundador da Community
Aid Abroad. Como Chefe do Departamento Externo da FRETILIN,
o Dr. Alkatiri esteve sito em Moçambique até
1999.
A primeira experiência no estrangeiro do Dr. Alkatiri
como Chefe da Delegação Externa da FRETILIN
foi em Dezembro de 1975 no Conselho de Segurança
das Nações Unidas, que subsequentemente adoptou
uma resolução para condenar a Timor-Leste
por parte da Indonésia.
Em 1977, o Dr. Alkatiri foi nomeado Ministro para as Relações
Externas do Governo da República Democrática
de Timor-Leste no exílio. De 1975 a 1982, o Dr. Alkatiri
participou em todas as sessões da Quarta Comissão
da Organização das Nações Unidas.
Em 1982, a Assembleia Geral das Nações Unidas
adoptou uma Resolução solicitando ao Secretário
Geral para "iniciar consultas com todas as partes de
modo a procurar meios para alcançar uma solução
compreensiva para o problema de Timor-Leste e para que se
pudesse proceder ao relatório para a Assembleia Geral
(Resolução 37/30 de 23 de Novembro de 1982).
O Dr. Alkatiri participou em todas as rondas de consultação
convocadas pelo Secretário Geral da ONU e de 1983
em diante, em todas as sessões da Comissão
da ONU para os Direitos Humanas relacionadas com Timor-Leste.
Liderou também a delegação de Timor-Leste
durante a Conferência Ministerial do Movimento Não-Alinhado
em 1985 e em numeroso eventos internacionais onde a causa
de Timor-Leste era abordada. No início dos anos 90,
o formato do processo de consultação foi alterado,
com a criação de conversas trilaterais entre
a ONU, a Indonésia e Portugal (o poder administrativo
de jure em Timor-Leste). O Dr. Alkatiri participou activamente
neste processo e também no Diálogo "Um
Timor-Leste Abrangente" patrocinado e mediado pela
ONU e que teve inicio em 1995.
Em 1994, o trabalho diplomático desempenhado pelos
representantes da resistência no estrangeiro foi reconhecido
como um dos três componentes decisivos da luta pela
libertação (juntamente com as frentes armadas
e clandestinas). O Dr Alkatiri foi nomeado como um dos quatro
membros da Comissão Coordenadora da Frente Diplomática.
Como parte dos grandes ajustamentos à Resistência
iniciada em meados dos anos 80, a Resistência reestruturou
a sua organização para se tornar a "Convenção
Nacional Timorense na Diáspora" em Abril de
1998. O que deu origem ao estabelecimento do Conselho Nacional
de Resistência Timorense (CNRT) - uma organização
mãe de todas as organizações políticas
para a independência. O CNRT adoptou a "Magna
Carta", um documento que delineava o futuro de Timor-Leste.
Este documento foi apresentado à comunidade internacional
como sendo a visão da "Resistência"
para o futuro do novo Estado de Timor-Leste. O Dr Alkatiri
foi o autor do documento. Durante a convenção
ele foi eleito membro da Comissão para a Política
Nacional do CNRT.
Em Agosto de 1999, o Dr. Alkatiri foi nomeado pelo Presidente
do CNRT, Xanana Gusmão, para se encarregar das questões
ligadas ao Mar de Timor em nome da Resistência. Sob
a sua orientação, o Acordo do Mar de Timor
(mais tarde o Tratado do Mar de Timor) foi negociado com
sucesso com a Austrália), com uma distribuição
na percentagem de 90:10 em favor de Timor-Leste. Sob a liderança
do Dr. Alkatiri, Timor-Leste negociou os termos para a exploração
do campo Bayu-Undan com a ConocoPhillips, um grande investidor
no Mar de Timor, assegurando assim para Timor-Leste uma
receita estimada nos 3 mil milhões de dólares
norte-americanos durante os próximos 17-20 anos.
Tem também mantido uma forte posição
na em garantir a delimitação das fronteiras
marítimas permanentes de Timor-Leste. Uma fronteira
permanente é vista pelo Dr. Alkatiri como uma parte
integral do direito de Timor-Leste à auto-determinação,
do mesmo modo que a fronteira terrestre define o território.
Mais importante ainda, fronteiras permanentes irão
permitir com que Timor-Leste tenha acesso aos recursos do
Mar de Timor, permitindo assim com que Timor-Leste se desenvolva
e supere os formidáveis desafios sem estar dependente
de auxílio externo.
O Dr. Alkatiri foi o Coordenador Adjunto do Conselho Presidencial
da FRETILIN entre Agosto de 1998 e Abril de 2001. Foi também
membro do Comité Nacional Consultativo (CNC) de Timor-Leste
em 2000. Em Setembro de 2001, o Dr. Alkatiri foi nomeado
Ministro Chefe do Segundo Governo de Transição
e Ministro da Economia e Desenvolvimento. Aquando do Dia
da Restauração da Independência a 20
de Maio de 2002 - o Dr. Alkatiri foi nomeado Primeiro Ministro
e Ministro do Desenvolvimento e Ambiente da República
Democrática de Timor-Leste. Ele é o Presidente
da Mesa da Comissão Nacional para o Desenvolvimento
e redigiu o Plano Nacional de Desenvolvimento.
Sob a liderança do Dr. Alkatiri, durante os primeiros
dois anos de independência Timor-Leste tornou-se membro
do Fundo Monetário Internacional, da Organização
das Nações Unidas, Banco Mundial e Banco Asiático
de Desenvolvimento. Timor-Leste é membro das Nações
de Africanas, das Caraíbas e do Acordo Comercial
ACP-EU. É também membro da CPLP, a Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa. Timor-Leste
possui o estatuto de observador no Fórum das Ilhas
do Pacífico (PIF) e na Associação das
Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Timor-Leste excedeu as expectativas dos parceiros de desenvolvimento
na área da gestão económica, reduzindo
e controlando o défice orçamental. O Dr. Alkatiri
incutiu uma firme política de transparência
e responsabilidade a todos os níveis do Governo.
Iniciou o programa da Governação Aberta em
Janeiro de 2003, que percorreu quase todos os distritos
com resultados positivos.
Foi concedido ao Dr. Alkatiri o prémio 'Lifting
up the world with a Oneness' - durante a sessão 58
da Assembleia Geral da Organização das Nações
Unidas em Nova Iorque a Outubro de 2003. Outros recipientes
incluem Nelson Mandela, o Papa João Paulo II, Madre
Teresa e Mohammad Ali.
O Dr. Alkatiri e a sua esposa Marina têm três
filhos, Nurima, Lukeno e Solok.
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