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Regresso à normalidade em Timor-Leste, 9 de Maio
de 2006
O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, afirmou esta terça-feira,
9 de Maio, em conferência de imprensa, que "a vida
está a normalizar-se em todo o país". Dando
conta que os serviços públicos estão a funcionar
em pleno e que os órgãos de soberania (Presidente
da República, Parlamento Nacional, Governo e Tribunais)
continuam na plenitude das suas funções, o chefe
do Executivo assegurou que "o Estado funciona em pleno".
Acompanhado pela ministra de Estado e da Administração
Estatal, Ana Pessoa, do ministro na Presidência do Conselho
de Ministros, Antoninho Bianco, e do ministro do Trabalho e da
Reinserção Comunitária, Arsénio Bano,
o primeiro-ministro explicou que, após os acontecimentos
de 28 de Abril e do pânico ostentado pela população
da capital, que se traduziu na saída de Díli de
milhares de pessoas, a situação é agora mais
calma em todo o país.
Em Gleno, distrito de Ermera, onde o gabinete do secretário
de Estado para a Coordenação da Região III
(Díli, Aileu e Ermera), Egídio de Jesus, esteve
ontem cercado durante algumas horas, por algumas centenas de jovens,
a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) controla a situação.
A operação de reposição da ordem efectuada
ontem pela PNTL, que incluiu elementos da Unidade de Intervenção
Rápida e da Unidade de Reserva da Polícia, causou
a morte a um agente, fez um ferido grave e um ligeiro. Mais de
70 pessoas foram entretanto detidas para interrogatório.
O chefe do Executivo disse ainda que foram tomadas medidas de
prevenção em Liquiçá, face à
existência de rumores que apontavam para uma tentativa de
repetição aqui dos acontecimentos de Gleno. Em Aileu,
onde se encontram muitas pessoas deslocadas e alguns dos membros
da Polícia Militar que saíram de Díli, não
existem problemas.
Mari Alkatiri revelou também estarem a decorrer reuniões
em Maliana entre o Governo e 42 ex-militares que integram o grupo
dos denominados "peticionários" para discutir
formas de apoio humanitário e de reintegração
nas suas respectivas comunidades.
A principal preocupação do Governo, segundo explicou
o primeiro-ministro, é agora gerir a situação
pós-pânico da população, criando condições
para o regresso das pessoas às suas casas. O chefe do Executivo
voltou a apelar aos militares e elementos da PNTL que se juntaram
aos "peticionários" para "continuarem a
não fazer uso da arma". E salientou que os problemas
que se têm verificado se devem "às pessoas que
se infiltraram no grupo dos 'peticionários' e que estão
a fazer reivindicações políticas e anti-democráticas".
Mari Alkatiri lembrou que "a alternância democrática
faz-se através de eleições e não de
golpes", tendo caracterizado a situação que
se viveu nos últimos dias em Timor-Leste como uma tentativa
de golpe de Estado constitucional, cujo objectivo seria bloquear
as instituições, de forma a que não funcionassem,
obrigando o Presidente da República a ter de dissolver
o Parlamento Nacional, provocando a queda do Governo.
Sublinhando a necessidade de se afirmar a autoridade do Estado,
o primeiro-ministro considerou ainda que o Governo tem demonstrado
tolerância, tendo dado o exemplo da reposição
da ordem em Gleno, em que nenhum tiro foi disparado contra os
desordeiros, mas concluiu que a vontade do Executivo é
acabar com a violência.
Sobre a possibilidade de vir a aceitar ajuda internacional para
repor a ordem e a lei no país, nomeadamente da Austrália,
o primeiro-ministro respondeu: "Para já, temos capacidade
para controlar a situação, mas se concluirmos que
não conseguimos poderemos vir a aceitar a ajuda dos nossos
amigos."
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