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Primeiro-ministro considera como bom acordo com a Austrália, 9 de Dezembro de 2005

O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, considerou hoje positivo o acordo a que chegaram na semana passada os governos de Timor-Leste e da Austrália sobre a partilha de recursos petrolíferos do Mar de Timor: "Este é um bom acordo para Timor-Leste mas é também um bom acordo para a Austrália", afirmou.

Mari Alkatiri revelou que "o acordo abre também caminho para garantir a construção de um gasoduto entre o Greater Sunrise e Timor-Leste e a consequente instalação de uma refinaria no país, dando-se assim início à actividade petrolífera em solo timorense".

O chefe do Executivo falou hoje, em conferência de imprensa, pela primeira vez sobre o acordo estabelecido na terça-feira, 29 de Novembro, em Darwin, entre as delegações técnicas dos dois governos.

O primeiro-ministro deixou claro que o acordo a que chegaram os dois Estados e que será assinado a 12 de Janeiro em Sydney pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste e da Austrália, na presença dos respectivos primeiros-ministros, não prejudica as exigências timorenses sobre o Mar de Timor: "Timor-Leste não comprometeu a sua reivindicação e posição jurídica em relação à questão das fronteiras marítimas. Este acordo considera os interesses essenciais tanto de Timor-Leste como da Austrália."

Como explicou Alkatiri, o tratado do Mar de Timor, ao abrigo do qual já se encontram em curso desenvolvimentos petrolíferos, continuará em vigor sem alterações. Ou seja, Timor-Leste continuará a receber 90 por cento das receitas da zona de desenvolvimento conjunto.

No encontro com os jornalistas, o chefe de Governo lembrou o trajecto percorrido até aqui desde 1999. No início das negociações, o acordo com a Austrália atribuía a Timor-Leste 50 por cento das receitas de uma zona igual à Área de Desenvolvimento Conjunto Petrolífero, incluindo cerca de 10 por cento do Greater Sunrise. "Hoje, nós recebemos 90 por cento das receitas da área conjunta, e com este novo acordo vamos receber um total de 50 por cento do Greater Sunrise", acrescentou o primeiro-ministro.

Para Alkatiri, esta solução é, no imediato, a melhor para Timor-Leste, até porque o resultado de uma acção em tribunal nunca é certo: "Estes acordos com a Austrália oferecem certeza no resultado, e ninguém pode afirmar que o resultado do tribunal seria melhor. Além disso, uma acção em tribunal demoraria anos a resolver e, no entretanto, haveria pouco que Timor-Leste pudesse fazer para proteger os recursos." Depois, acrescentou, "a instabilidade que existiria durante anos poderia prejudicar seriamente as perspectivas de investimento, podendo comprometer o desenvolvimento sócio-económico de Timor-Leste".

No plano económico, revelou o primeiro-ministro, a intenção deste acordo é criar um quadro que permita que um segundo grande desenvolvimento petrolífero - o Greater Sunrise - vá avante no médio-longo prazo

Estrategicamente, isto é crucial em termos de planeamento de receitas do sector petrolífero. Neste momento, Timor-Leste está dependente quase em exclusivo de apenas um projecto, o de Bayu-Undan. Com este acordo, pode esperar-se que o projecto do Greater Sunrise avance e a produção seja iniciada aproximadamente a meio do ciclo de produção do Bayu-Undan. "A estabilização do fluxo de receitas para o Fundo Petrolífero no longo prazo oferecerá condições para o planeamento e para o investimento, na busca do desenvolvimento sustentável do país, que é o nosso objectivo-chave", disse ainda o primeiro-ministro.

A conferência de imprensa decorreu momentos antes da partida do chefe do Governo com destino a Cuba, onde efectuará uma visita oficial entre os dias 11 a 13.

 

 

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