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Incidentes em Gleno, calma no resto do país, 8 de
Maio de 2006
O distrito de Ermera é a excepção ao clima
de regresso à normalidade que se vive em Timor-Leste, após
a violência em que degenerou a manifestação
dos ex-militares, a 28 de Abril, e o clima de pânico vivido
pela população de Díli no final da semana
passada.
Nesta segunda-feira, 8 de Maio, registou-se uma franca melhoria
da situação na capital, com o regresso ao trabalho
de muitos dos funcionários públicos que faltaram
aos seus serviços no final da semana passada. Em alguns
ministérios, a taxa de comparência de funcionários
foi mesmo superior a 90 por cento, num evidente sinal de que as
pessoas estão a voltar a Díli.
Em Gleno, distrito de Ermera, o gabinete do secretário
de Estado para a Coordenação da Região III
(Díli, Aileu e Ermera), Egídio de Jesus, foi cercado
durante algumas horas, por algumas centenas de jovens, vindos
dos distritos de Aileu e Bobonoro, que exigiam o encerramento
dos serviços do Estado naquela localidade.
Após intervenção da Polícia Nacional
de Timor-Leste (PNTL), que incluiu elementos da Unidade de Intervenção
Rápida (UIR) e da Unidade de Reserva da Polícia
(URP), a situação encontra-se a ser normalizada,
tendo os manifestantes sido dispersados com gás lacrimogéneo
e disparos para o ar.
A PNTL recebeu ordens para perseguir e deter os agitadores e
para os apresentar à justiça.
Na operação destinada a pôr termo ao cerco
ao gabinete do secretário de Estado (em que se encontrava
o próprio secretário de Estado, um pároco,
e seis elementos da UIR), ficaram feridos três agentes da
PNTL (dois com gravidade), atacados com armas brancas por agitadores.
Durante o cerco, um pároco tentou através do diálogo
convencer os jovens a dispersar, mas os manifestantes não
se mostraram sensíveis aos esforços do representante
da Igreja Católica.
Alguns dos jovens encontram-se armados. Vários estão
identificados como alguns dos que estiveram envolvidos na onda
de violência com que terminou a manifestação
de ex-militares, em Díli, no dia 28 de Abril.
A população de Gleno expressou o seu descontentamento
nas ruas pela acção dos agitadores.
Nos contactos estabelecidos com o próprio secretário
de Estado, os jovens revelaram querer que o Governo resolva "o
problema lorosae-loromuno", desprezando, contudo, a ideia
de que a Comissão de Notáveis, que reúne
representantes dos quatro órgãos de soberania, Igreja
Católica e sociedade civil, possa contribuir para apurar
o que verdadeiramente se passa nas F-FDTL.
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