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Situação calma em Díli, 5 de Maio de 2006

A situação na capital de Timor-Leste tem-se mantido calma nesta sexta-feira, 5 de Maio, uma semana após a manifestação de ex-militares das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) ter degenerado em violência.

Ainda se vêm partir algumas pessoas em direcção aos distritos, em carrinhas de caixa aberta, pequenos autocarros de transporte de passageiros e mesmo em motociclos, mas nada que se compare com o caudal de ontem, quando milhares de pessoas abandonaram Díli, em pânico, com receio que se cumprissem os rumores que apontavam para um alegado ataque à cidade por ex-militares.

Os que permanecem na cidade procuram desde manhã cedo levar a sua vida habitual. Sinal de que a situação está menos tensa, as telecomunicações já funcionam com relativa fluidez - na véspera foi extremamente difícil comunicar na rede de telemóveis. Contudo, nem todos os que trabalham puderam ir até aos seus serviços, já que a rede de transportes públicos - mikrolet - está suspensa e os taxistas, devido à sua súbita escassez, estão a pedir cinco dólares norte-americanos (USD) por trajectos em que cobravam não mais que um dólar.

A última noite foi igualmente calma, não se tendo registado pilhagens das casas abandonadas pelos cidadãos, como alguns receavam. A colaboração entre os polícias e as autoridades locais terá resultado.

Pela manhã, num encontro do chefe do Estado, Xanana Gusmão, e do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, com os jornalistas, no Palácio das Cinzas, o chefe do Executivo afirmou que a tolerância do Governo para com os funcionários públicos que têm estado a faltar aos seus serviços acabará segunda-feira, 8 de Maio, devendo então apresentar-se ao trabalho. Se continuarem a faltar ser-lhes-ão averbadas faltas e abrir-se-ão os respectivos processos disciplinares.

O primeiro-ministro revelou também que a Comissão para o Levantamento do Volume das Destruições de Bens, constituída por representantes dos ministérios das Obras Públicas e do Trabalho e da Reinserção Comunitária e pelo administrador do distrito de Díli e criada na sequência da violência ocorrida a 28 de Abril, concluiu que foram destruídas integralmente 45 casas e outras 116 parcialmente, nos bairros de Taci-Tolo, rotunda do aeroporto, Manlewana, Fomento, Taibessi e Becora.

O Governo deu já indicações para se começarem os trabalhos de recuperação das 45 casas totalmente destruídas, como também do mercado de Taibessi, extremamente danificado pelos eventos da semana passada. A este propósito o primeiro-ministro salientou que o mercado vai agora ser recuperado, mas que foi decidida a sua reconstrução, tendo já sido dadas ordens para se avançar com o projecto de edificação de um novo mercado para aquele bairro da capital.

Comissão de Notáveis toma posse

No final da manhã, em cerimónia realizada na Sala do Conselho de Ministros, no Palácio do Governo, em Díli, o primeiro-ministro empossou os membros da Comissão de Notáveis, que averiguará da verdade material das alegações do grupo de ex-militares denominados "peticionários".

Numa curta intervenção, o primeiro-ministro fez questão de salientar a importância da Comissão de Notáveis: "Hoje damos posse a esta comissão pois sabemos separar os acontecimentos do 28 de Abril das alegações feitas na petição pelos ex-militares."

Dos 10 elementos que compõem a comissão, com pessoas indicadas pelos quatros órgãos de soberania, Igreja Católica e sociedade civil, apenas a representante do sector judicial não tomou posse hoje (Maria Natércia Gusmão Pereira), por se encontrar fora do país. Aos restantes (Longuinhos Monteiro e Sebastião Ximenes, indicados pelo Presidente da República; Francisco Miranda Branco e Pedro Mártires da Costa, indicados pelo Parlamento Nacional; Ana Pessoa e Alcino Baris, indicados pelo Governo; Padre António Gonçalves, indicado pela Igreja Católica; e os membros consultivos, Aniceto das Neves, da Associação HAK, e Tiago Sarmento, Judicial System Monitoring Program) foi-lhes conferida posse na presença de membros do Governo e do corpo diplomático.

A comissão é presidida pela ministra de Estado e da Administração Estatal, Ana Pessoa. No final da tomada de posse, os membros da comissão reuniram-se pela primeira vez. A Comissão de Notáveis tem 90 dias para apresentar as suas conclusões.

 

 

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