|
Transcrição conferência imprensa conjunta,
4 de Setembro de 2006
Transcrição da conferência de imprensa no
final da reunião trilateral de Díli entre os Governos
de Timor-Leste, Indonésia e Austrália, realizada
esta segunda-feira, 4 de Setembro, no Palácio do Governo.
A conferência de imprensa decorreu em língua inglesa.
José Ramos-Horta, primeiro-ministro:
Esta foi a terceira reunião entre os três países.
A primeira teve lugar em Bali, em 2002; a segunda aconteceu em
Adelaide, há dois anos, e agora tivemos a terceira, aqui,
em Timor-Leste.
Na reunião revimos as relações entre os
nossos três países e foi também muito importante
para ilustrar a iniciativa e o apoio dos dois vizinhos de Timor-Leste,
Austrália e Indonésia. Este é um diálogo
que se mantém, e que começou há mais de quatro
anos. Deveríamos ter tido aqui a reunião há
dois anos, mas por causa das eleições na Austrália
e Indonésia, adiámo-la.
Passámos em revista uma série de assuntos, mas
sobretudo a cooperação trilateral ao nível
das trocas comerciais entre os nossos países e a forma
como poderemos encorajar mais investimentos nas nossas economias
respectivas. Eu fiz também um ponto da situação
sobre as condições de segurança aqui; a nova
missão das Nações Unidas em Timor-Leste;
e sobre as eleições do próximo ano. Terminei
com uma nota de confiança de que ultrapassaremos a situação
actual. Neste momento, já estamos mais estáveis
do que há dois meses. Agradecemos às forças
da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal,
pela sua resposta pronta e agradecemos à Indonésia
por, no auge da crise, nos ter facilitado generosa ajuda humanitária
enquanto estava a ser atingida por um terramoto, mas também
foi pela cooperação indonésia que não
tivemos quaisquer problemas na fronteira. Eu agradeço-vos
por isso.
Alexander Downer, ministro dos Negócios Estrangeiros da
Austrália:
(
) Foi uma boa oportunidade para fazermos o ponto da situação
com o primeiro-ministro sobre as questões de segurança
e com os comandantes militar e policial australiano. Embora ainda
haja incidentes, o relato que me foi feito é que a situação
está muito melhor, estamos satisfeitos por isso. Tivemos
uma oportunidade para falar da nova missão das Nações
Unidas com 1600 polícias, da qual somos grandes apoiantes.
É um número grande, ambicioso, mas que ajudará
a providenciar segurança. Eu expliquei a posição
do Governo australiano: pensamos que é melhor que haja
um contingente militar de apoio para esses polícias em
situações extremas. (
)
Foi uma boa reunião. Foi bom estar de volta aqui. A Austrália
sempre apoiou Timor-Leste e assim continuará quais forem
as circunstâncias.
Hassan Wirajuda, ministro dos Negócios Estrangeiros da
Indonésia:
Estou muito contente por aqui estar. (
) Discutimos formas
de cooperação entre os nossos três países.
Temos hábitos de diálogo que têm sido mantidos,
mesmo quando Timor-Leste passou por dificuldades. Nós ajudámos
Timor-Leste no que pudemos para alcançar a paz e a segurança
e também para resolver os problemas relacionados com as
consequências do ponto de vista humanitário. Nós
mantivemos a segurança e a estabilidade na zona fronteiriça,
mas temos uma capacidade limitada de ajudar Timor-Leste humanitariamente.
Por isso, a Indonésia encoraja os outros países
da Ásia para contribuírem com grupos de polícia,
ao lado das tropas australianas, de forma a ajudarem Timor-Leste.
Saudamos Timor-Leste pela suave transição operada
no Governo. Vimos aqui em Díli reflexos do apoio ao novo
Governo e à liderança do primeiro-ministro Ramos-Horta.
Na reunião falámos na cooperação
trilateral, promoção do comércio e investimentos,
e discutimos a possibilidade de aumentar os voos de Denpasar para
Díli, porque os transportes aéreos são uma
das componentes da promoção do comércio e
investimentos. E discutimos como poderemos acelerar os processos
de transposição de fronteiras em relação
às trocas fronteiriças regulares e tradicionais
entre a Indonésia e Timor-Leste.
Desde 1997, desenvolvemos cooperação com o Norte
da Austrália, em termos comerciais. Agora juntámos
Timor-Leste a este triângulo de cooperação.
Na fase das perguntas e respostas, a Alexander Downer foi perguntado
se a Austrália estava em Timor-Leste numa lógica
de esfera de influência, ao que respondeu:
A Austrália não opera por qualquer lógica
de esfera de influência, mas sim porque quer ajudar, não
queremos influenciar. (
)
A Ramos-Horta foi perguntado se, tal como foi insinuado por uma
reportagem recente exibida pela SBS, a Austrália poderá
ter estado numa tentativa de golpe para derrubar o anterior Governo
timorense, ao que respondeu:
Será que tenho de responder a todas as perguntas imaginativas
da SBS? Como já disse centenas de vezes, a crise que aqui
aconteceu é da nossa responsabilidade. Nós timorenses,
da mesma maneira que estamos orgulhosos de ser independentes e
soberanos, temos de ser humildes e aceitar as nossas responsabilidades.
Quando o problema aconteceu nos finais de Abril, Maio, pedimos,
por favor, à Austrália, Nova Zelândia, Malásia
e Portugal se podiam vir ajudar. E vieram no mais depressa possível.
Agora, se pudessem ir amanhã, iriam amanhã. Nós
é que lhes estamos a pedir para não saírem
tão depressa porque ainda aqui são precisos. Mas
há pessoas que gostam muito de teorias da conspiração,
como essa de que serviria os interesses australianos desestabilizar
Timor-Leste. O II Governo de Timor-Leste, a que presido, tal como
o Governo anterior, do Dr. Mari Alkatiri, teve sempre uma relação
muito boa com a Austrália. Não há grandes
diferenças entre nós e a Austrália em relação
àquilo que acontecia com o Dr. Mari Alkatiri como primeiro-ministro.
E foi durante a liderança do Dr. Mari Alkatiri que negociámos
os dois mais importantes acordos com a Austrália: Bayu-Undan
e Greater Sunrise. E com a condução da negociação
a cargo do próprio Dr. Mari Alkatiri. Então, do
que é que estamos a falar? Por favor, digam aos meus amigos
da SBS que estou impressionado com a sua imaginação,
mas não é consistente com a realidade. Talvez seja
consistente com ficção.
Nota: transcrição não oficial nem integral
(partes inaudíveis).
|