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Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento - Parceiros de Desenvolvimento elogiam programa do Governo de Timor-Leste para combater a pobreza, 4 de Abril de 2006

O programa do Governo de Timor-Leste para combater a pobreza no país foi bem acolhido pelos Parceiros de Desenvolvimento, Nações Unidas e Banco Mundial, co-organizador da Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento, subordinada ao tema "Combate à Pobreza como Causa Nacional", que decorreu em Díli nos dias 3 e 4 de Abril de 2006.

A forma como o Governo da República Democrática de Timor-Leste tem gerido os destinos do país foi particularmente elogiada. Os representantes da comunidade internacional destacaram os avanços conseguidos no sentido da concretização do Plano de Desenvolvimento Nacional e dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, sublinhando o facto de a liderança do país ter sabido manter a paz e a estabilidade em Timor-Leste ao longo dos últimos anos.

Os delegados salientaram sobretudo os progressos conseguidos nas áreas da saúde, educação, acesso a água canalizada e electricidade, primordiais para se conseguir melhorias no âmbito do desenvolvimento humano. A institucionalização do gabinete do Provedor dos Direitos Humanos foi referida como um passo importante para prevenir e combater a corrupção. E a aprovação pelo Parlamento do Estatuto dos Combatentes da Libertação Nacional um marco importante do reconhecimento do papel dos veteranos na resistência. Também o Fundo Petrolífero de Timor-Leste, que está em vigor desde Agosto do ano passado, foi enaltecido pelos delegados à conferência. Criado com o objectivo de garantir a equidade geracional dos recursos provenientes da exploração dos recursos de gás natural e de petróleo de Timor-Leste, e tendo por base os princípios da gestão cuidada dos bens públicos e da transparência, o valor total do fundo já ultrapassa os 510 milhões de dólares norte-americanos (USD).

Ainda que os progressos alcançados nos últimos anos sejam notáveis, o Governo não deixa de estar atento ao aumento da pobreza e do desemprego, em virtude de a população timorense estar a crescer a uma taxa de 3 por cento ao ano e de a força laboral aumentar quatro pontos percentuais anualmente. Só se conseguirá reduzir a taxa da incidência da pobreza em Timor-Leste através de um crescimento económico de 7 por cento ao ano. Para o induzir, o Governo prepara-se para lançar no Orçamento do Estado para o ano fiscal de 2006/07 um audacioso programa de despesas de investimento público (em capital e desenvolvimento) que ascende a mais de 90 milhões de USD. Tendo consciência das debilidades ostentadas pelo sector privado timorense, uma parte destas despesas deverá vir a ser executada por empresas estrangeiras, que, no entanto, serão convidadas a empregar uma percentagem considerável de trabalhadores nacionais e a subcontratar com empresários locais.

Por um lado, este plano visa dotar Timor-Leste de algumas das infra-estruturas básicas de que continua carenciado - tais como escolas, centros de saúde, estradas, abastecimento de água e electricidade, saneamento básico; por outro, tem o objectivo preponderante de contribuir para diminuir o fosso entre as populações mais carenciadas dos distritos e as que vivem na capital - de forma a combater as assimetrias regionais que o país ostenta, a versão final do Orçamento do Estado, que em breve deverá ser aprovada pelo Conselho de Ministros, dedica 60 por cento das despesas de investimento aos distritos, onde a taxa de incidência da pobreza é maior.

Os Parceiros de Desenvolvimento avalizaram a estratégia do Governo de combate à pobreza e calculam que, se o plano for totalmente executado, deverão ser criados para cima de 10 mil postos de trabalho. Sublinhando que esta é a melhor forma para, no curto prazo, combater a pobreza, os participantes na reunião, com o Banco Mundial à cabeça, apelaram ao Governo para não deixar de apostar no sector privado. Nesse sentido, o Executivo de Timor-Leste revelou que tem na sua agenda para o próximo ano proceder a correcções no sistema fiscal, de forma a fomentar o desenvolvimento do sector privado nacional - peça essencial da sustentabilidade do crescimento económico no futuro que propicie reduções de longo prazo na pobreza e no desemprego. Isto ainda que os parceiros tenham elogiado os passos importantes dados com a promulgação no último ano das leis do Investimento e da criação do Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial e da TradeInvest Timor-Leste, é preciso trabalhar também em medidas que facilitem o processo de registo de empresas e tornar alguns regulamentos mais claros.

Tendo em conta a realização em 2007 das eleições para o Parlamento Nacional e das presidenciais, os delegados sublinharam a necessidade de o Governo aprovar tão cedo quanto possível o quadro normativo que regulará o processo eleitoral, tendo os Parceiros de Desenvolvimento demonstrado disponibilidade para manter e aumentar a assistência técnica nesse domínio.

Os Parceiros de Desenvolvimento salientaram ainda a importância de se continuar a reforçar os pilares essenciais do Estado, com destaque especial para aquele que se encontra mais atrasado - o sector da justiça. A formação dos actores do sistema judicial continua a ser premente, sendo o exemplo cimeiro da necessidade de manutenção da assistência técnica a Timor-Leste, que passa ainda por outras áreas - nomeadamente na que é essencial para a chegada a bom porto do projecto de investimento público maciço do Governo: a da execução orçamental. Para garantir ganhos significativos neste campo, o Executivo revelou também a intenção de proceder a um ajustamento das regras de aprovisionamento em vigor no Ministério do Plano e das Finanças, no sentido de as agilizar, de forma a contribuir para uma maior eficácia da implementação dos projectos governamentais.

 

 

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