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Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento, Intervenção de Sua Excelência o Primeiro-Ministro da RDTL, Dr. Mari Alkatiri, 3 a 5 de Dezembro de 2003

Sua Excelência, o Presidente do Parlamento Nacional
Sr. Vice-Presidente do Banco Mundial, Dr. Jamil Kassun
Sua Excelência, RESG, Embaixador Sharma
Suas Excelências Srs. Embaixadores e Chefes das Missões Diplomáticas
Representantes dos nossos Parceiros de Desenvolvimento
Caros Colegas Membros do Governo
Sras e Srs Deputados
Ilustres Participantes
Minhas Senhoras e Meus Senhores

A três de Dezembro de 2002 estávamos entre a pressão do trabalho dos derradeiros preparativos de uma reunião desta natureza - Timor-Leste e Parceiros de Desenvolvimento - e a de um clima político agitado que culminou com os distúrbios de 4 de Dezembro. Já na altura os distúrbios e as destruições deles advenientes não nos demoveram de realizar a reunião no período previsto. E fizemo-lo com sucesso.

Hoje, um ano depois, recebemo-los de novo no nosso país, num clima de perspectivas mais claras e animadoras porque assentes sobres alicerces institucionais e de princípios mais sólidos. Por isso, em nome do Governo da RDTL, no de todo o povo de Timor-Leste e em meu próprio, quero desejar as boas-vindas a todos vós a esta quarta reunião em Díli. Estou certo que todos juntos tornaremos este nosso encontro mais participativo e produtivo.

Em pouco mais de 18 meses de governação de Timor-Leste após a UNTAET, o país deu passos consideráveis em diversas frentes, em particular, no que se relaciona com a edificação de um estado democrático e de direito, no que toca ao desenvolvimento das instituições e da sua vertente humana que são as capacidades, consolidando cada dia as bases de um sistema que se quer eficiente e de boa governação, com vista a uma vida e cultura institucionais fortes, participativas, abertas, dando corpo a uma autoridade legitimamente democrática e disciplinadora.

Assim, envolvemos cada vez mais o nosso povo no diálogo, encorajando-o e ajudando-o a participar conscientemente no processo de desenvolvimento.

A Governação Aberta que levamos a cabo nos distritos, sub-distritos e alguns sucos é uma forma importante de levar às pessoas informações sobre os Planos do Governo e a sua execução, as prioridades definidas e as suas origens e razões. Do povo procuramos ouvir directamente as suas preocupações, aferir as suas expectativas de modo a se iniciarem acções para enquadrar e conformar as suas exigências ao programa de estabilidade, sem contudo ferir a coerência do Plano Nacional de Desenvolvimento. Para dar seguimento a acção da Governação Aberta, foi instituída uma Comissão interministerial para desenvolver trabalhos mais prolongados em cada Distrito, trabalho de organização das iniciativas - criação de associações ou cooperativas - de capacitação básica em conhecimentos de gestão e de produção para o mercado, de introdução de novas culturas e tecnologias, etc.

Um grupo técnico de acompanhamento será criado para continuar a dar o apoio necessário às populações de uma forma mais integrada, i é, envolvendo sectores prioritários de actividades nas zonas rurais.

Assumindo a política de inclusão como seu lema, o Governo procura desenvolver outros mecanismos de parceria com a sociedade em geral. Ainda no seguimento desta mesma política, impulsionamos e facilitamos o estabelecimento de um Mecanismo de Alto Nível, envolvendo múltiplas partes interessadas, com o intuito de conseguir perspectivas pluralistas sobre as actuais preocupações em termos de desenvolvimento, bem como de produzir opções pragmáticas para lidar com estas mesmas preocupações.

No seio do Governo, que começou dos escombros, com estruturas limitadas e capacidades extremamente reduzidas no que toca a recursos humanos, durante o último ano e meio, demos prioridade à institucionalização do Estado. Assim,

i. embarcamos numa ambiciosa produção legislativa, adoptando diplomas estruturantes do Estado, aprovando normas e dando corpo a estruturas organizacionais necessárias para melhor implementação das leis e execução dos programas;
ii. Formulamos planos, políticas e estratégias sectoriais;
iii. Adoptamos o Guia de Implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento, as Matrizes;e
iv. Adoptamos procedimentos e orientações para melhor definir as formas e os métodos de implementação dos programas e de execução do Orçamento.

Não obstante os avanços verificados, continuamos a necessitar de mais tempo e uma contínua assistência multisectorial e multidisciplinar dos nossos parceiros de desenvolvimento de modo a consolidar os ganhos para que seja garantida a sua sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, começámos a desenvolver as capacidades do nosso serviço público - tanto no que se refere à função pública como às forças de defesa e de segurança. Fizemos juntos progressos consideráveis, concluímos com sucesso etapas emocionantes da longa travessia do deserto; lançamos as bases fundamentais para tornar Timor-Leste em mais um oásis de desenvolvimento sustentado nesta sub-região do Mundo.


Defesa e Segurança

No campo da segurança, a nossa Polícia Nacional e a nossa Força de Defesa estão a assumir cada vez mais responsabilidades, à medida que a presença das Forças de Manutenção da Paz da ONU e da Polícia da ONU se vai reduzindo. A Polícia Nacional assumiu a responsabilidade pelo policiamento de todos os distritos, à excepção de Díli, o que deverá ocorrer na próxima semana. Em Janeiro de 2004 a UNPOL fará a transferência do comando Nacional para a PNTL.

Esta é sem dúvida uma transferência rápida, e desejo elogiar a nossa Força de Defesa e a Polícia Nacional, bem como a Força de Manutenção da Paz da ONU e a Polícia da ONU, por esta excelente conquista. Reconhecemos que as nossas forças de segurança nacionais são ainda muito jovens e inexperientes. Necessitam de formação continuada e de assistência técnica de forma a fortalecerem as suas qualificações e a ganharem confiança do povo, bem como de apoio material para que possam melhorar o seu desempenho. Mas também não devo deixar de reconhecer que a segurança em quase todo o país tem sido mantido pelos nossos serviços, assistidos pela UNPOL.
Importa contudo, não nos deixarmos levar pela tendência armamentista ou mesmo militarista da segurança e esquecer que o desenvolvimento é o melhor instrumento para combater preventivamente a insegurança e os conflitos inter-grupais, inter-regionais ou mesmo internacionais.

Desenvolvimento Preventivo

Como devem estar cientes, o equipamento pesado utilizado pelas Forças da Manutenção da Paz das Nações Unidas danificou algumas das estradas em todo o país, mas com maiores consequências, nos Distritos fronteiriços. Consideradas como zonas de maior influência militar, foi, até à data, negligenciado o seu desenvolvimento. Para corrigir este atraso vamos formular um Plano Especial de Desenvolvimento Preventivo ou PEDP para os Distritos fronteiriços de Covalima, Bobonaro, Oécussi e partes de Ermera e Ainaro. O PEDP irá focar duas áreas correlacionadas: o aumento da segurança e a promoção do desenvolvimento de áreas de risco. Para tal, deverão ser reabilitadas as infra-estruturas danificadas e, assim, poder facilitar o movimento de bens e pessoas, fazendo também com que os cidadãos se sintam menos vulneráveis a forças e ameaças externas e mais próximas do mercado.


O PEDP deverá igualmente privilegiar a componente do desenvolvimento comunitário de modo a melhorar a qualidade e o nível de vida das populações. Pretende-se que o PEDP se constitua num plano integrado de desenvolvimento e numa iniciativa piloto onde se reconcilia a criação imediata de emprego e a utilização intensiva de mão de obra com o desenvolvimento das capacidades e das instituições locais, visando a sustentabilidade dos programas e a descentralização gradual da administração. Esperamos de vós todo o apoio a esta iniciativa que pretendemos apresentar na nossa próxima reunião.

Justiça e Desenvolvimento

A justiça é o sector que mais necessita de assistência com vista à sua estruturação, capacitação e adequação ao contexto de um Estado democrático e de direito. A questão da língua como instrumento de comunicação é uma das muitas questões que dificultam de sobremaneira a interpretação e aplicação da Lei.

O desenvolvimento do programa de formação de intérpretes e de tradutores a iniciar em Janeiro de 2004 e o programa em curso de formação de Magistrados e da sua necessária avaliação, certamente irão contribuir para o melhor desempenho neste sector.

Medidas Legislativas

Fizemos consideráveis progressos no pacote legislativo para a criação de um ambiente que atraia o investimento e promova o sector privado. Estamos a iniciar também a preparação de um quadro legislativo na área das pescas e do turismo bem assim como um regime legal para exploração dos recursos pertencentes à nossa zona económica exclusiva, para o mar territorial e para a exploração de hidrocarbonetos e outros minerais "on shore".

Pouco tempo após a reunião com os Parceiros de Desenvolvimento em Junho, finalizámos as disposições com a ConocoPhillips e o Governo Australiano para permitir que o desenvolvimento do gás no Bayu-Undan, Mar de Timor, prosseguisse. As negociações foram delicadas e difíceis, especialmente para nós, ainda com limitada experiência nestas áreas. Contudo, cremos que o acordo apresenta um valor real para o povo Timorense. O Parlamento Nacional aprovou a legislação tributária para o Bayu-Undan que é consistente com os padrões internacionais. Estamos orgulhosos do que alcançámos. Durante o seu período de vida produtiva de 20 anos, espera-se que Bayu-Undan apresente resultados no montante de três mil milhões de dólares para o nosso país.

Saliento que o campo de Bayu-Undan só começará a produzir receitas significativas a partir do AF2007-08. Mesmo nessa altura, não iremos obter o rendimento necessário para nos permitir poupar o suficiente em benefício das gerações vindouras. Esta é uma das razões da urgência do meu Governo na delimitação de fronteiras marítimas no Mar de Timor.

Se Timor-Leste e Austrália concordarem em fronteiras marítimas permanentes que sejam consistentes com a lei internacional, estabeleceremos um regime estável e atractivo para os investidores. Assim, todos os nossos recursos no mar poderão vir a ser explorados para melhor servir o nosso povo.

Para proteger Timor-Leste das grandes flutuações nas receitas petrolíferas, e para utilizar as receitas provenientes do Mar de Timor em benefício das gerações presentes e futuras, o Governo propõe estabelecer um Fundo de Petróleo. Estudos foram já encomendados a diferentes instituições, sendo de destacar a versão apresentada pela FMI.


Sector Privado

Ainda como medidas para atracção de investidores, foram dados passos para o estabelecimento de parques industriais . Estamos também a finalizar uma iniciativa piloto na área do turismo na zona da "Areia Branca", em Díli e em Com, no Distrito de Lautém.

No contexto do desenvolvimento do sector privado, um grande número de cooperativas foi criado. Registou-se assim um aumento significativo em relação ao ano transacto - cerca de 77 - sendo a maioria constituída por uniões de crédito e cooperativas de café. Abrangem uma área que vai até aos distritos e sub-distritos fornecendo assim serviços de intermediação críticos como crédito e marketing.

No sector da energia, está-se a dar início a trabalhos de levantamentos e pesquisa de gás, petróleo "on shore" com a assistência da China Petróleos.

Celebrámos o Contrato Gestão com a CEM (Companhia de Electricidade de Macau) para gerir a EDTL por um período de três anos. Esperemos que o desempenho no sector da electricidade melhore consideravelmente durante os próximos meses. No entanto foram já tomadas medidas de cortes e de racionalização da distribuição, obedecendo a claras instruções minhas de nunca ultrapassar o nível de consumo diário de combustível previsto e financiado pelo Orçamento corrente. Iniciativas foram já tomadas no sentido de se explorarem novas fontes de produção de energia, tais como, a água, o sol e o vento, etc.

As iniciativas feitas através do primeiro projecto de Desenvolvimento das Pequenas Empresas financiado pelo Fundo Fiduciário de Timor-Leste têm sido encorajadoras. Com o envolvimento directo do Governo na gestão do projecto, os níveis de pagamento por parte dos que contraem dívidas têm aumentado. Continuamos a envidar esforços no sentido de recuperar o reembolso de empréstimos.

Os sistemas de micro-finanças existentes têm conhecido um sucesso razoável no que diz respeito a chegar junto dos pequenos empreendedores, tendo a Instituição de Micro-Finanças arrecadado poupanças que se situam próximo de um milhão de dólares.

No âmbito do programa de estabilidade incluímos o projecto RESPECT que, até a data, não obstante estar ainda na fase do desenvolvimento institucional das suas capacidades a nível regional, já começou a provocar impactos positivos junto da comunidade rural. Permitam-me que abra aqui um parêntesis para tornar claro o apoio do Governo a este projecto e lançar um apelo a todos os Parceiros de Desenvolvimento para abandonarem as suas reservas no sentido de contribuir para o mesmo.

Apraz-nos igualmente registar o desenvolvimento no sector financeiro formal pois, o total dos depósitos bancários atingiu os 90 milhões de dólares, com os depósitos privados a representar dois terços do total. Os empréstimos bancários para o sector privado, nomeadamente para o sector empresarial, aumentaram para cerca de 13 milhões de dólares ou cerca de 22 por cento dos depósitos bancários privados no fim de Setembro de 2003.

No esforço para melhor controlar os serviços de cobranças de receitas, operacionalizamos recentemente o Sistema Automatizado de Gestão de Dados Aduaneiros ou ASYCUDA. Com isto pretendemos prevenir a fraude e a evasão fiscal e aumentar significativamente a arrecadação de receitas nas alfândegas.
Auditoria Interna

Durante o ano transacto, o Inspector-Geral investigou a meu pedido e a pedido de outras instituições, numerosas alegações de irregularidades. De entre as situações investigadas, existem pelo menos dois casos, que indiciam práticas de natureza criminal e que serão referidos ao Procurador Geral da República para serem tratados em fora competentes.

Desenvolvimento dos Recursos Humanos

No que toca ao recrutamento de funcionários, estamos próximos de atingir o número de doze mil. Permanecem por preencher algumas posições superiores dada a necessidade e a dificuldade de se encontrar candidatos qualificados. A proposta de Lei do Estatuto do Funcionalismo Público foi já aprovada pelo Conselho de Ministros e será em breve enviada ao Parlamento para apreciação e aprovação.

A capacidade da função pública tem vindo a melhorar gradualmente, embora não de forma tão célere como esperávamos. Muitos dos funcionários começam com uma base de conhecimentos muito baixa e com uma experiência deveras limitada. As estruturas organizacionais, os sistemas e os procedimentos estão a ser reequacionados e consolidados.

A contribuição da ONU para os 100 postos administrados pela UNMISET, dos quais apenas 82 preenchidos e destes, uma grande parte recentemente recrutados (terceiro trimestre deste ano) e a assistência bilateral para os 200 Assessores de Desenvolvimento administrada pelo PNUD, assim como outros assessores e consultores financiados pelos nossos Parceiros de Desenvolvimento, tem sido valiosa de forma a aumentar e fortalecer as capacidades dos funcionários públicos.

Porque a capacitação é parte integrante do desenvolvimento institucional, iniciamos já o processo de formulação de estratégias de capacitação para dar resposta às necessidades do país a curto, médio e longo prazos. Convidamos os nossos Parceiros de Desenvolvimento a assistirem-nos neste exercício, dentro de um verdadeiro espírito de parceria.

Tal como frisei na última Reunião em Junho, o meu Governo reconhece que a prestação de serviços para dar resposta às necessidades do nosso povo, incluindo as relativas à segurança, é uma prioridade elevada. Cerca de um terço do Orçamento de Estado é afectado para a prestação de serviços nas áreas da educação e da saúde, sendo um quinto dedicado à segurança. De igual modo, a Educação, a Saúde, a Agricultura e as Infra-estruturas recebem as maiores fatias do orçamento de fontes combinadas.

Temos vindo a adoptar e a implementar os Planos de Acção Anuais, monitorizando o progresso através dos relatórios de desempenho trimestrais. Os Planos de Acção Anuais não são mais do que a execução anual do Plano de Desenvolvimento Nacional. Demos igualmente início à preparação do segundo Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano, o qual irá incidir em especial sobre o desenvolvimento de opções que permitam adaptar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) à situação de Timor-Leste, bem como conciliar os objectivos do Plano de Desenvolvimento Nacional com os ODM.

Partindo da proposta do Guia de Implementação do Plano, e com base nas discussões com vários Parceiros de Desenvolvimento em Junho de 2003, preparámos pacotes de despesa sectorial (PDS) para alguns sectores, a saber:

Educação e Formação;
Cuidados de Saúde;
Agricultura e Criação de Animais;
Recursos Naturais e Ambiente;
Comunicações;
Electricidade;
Transportes;
Abastecimento de Água e Saneamento; e
Desenvolvimento do Sector Privado.

Os PDS propostos foram apresentados aos representantes dos Parceiros de Desenvolvimento em Díli pelos Ministros relevantes, tendo sido feitas discussões preliminares com eles durante as últimas duas semanas. Na Reunião de amanhã serão feitas breves apresentações sobre os PDS. Tencionamos continuar estes diálogos convosco ao longo dos próximos quatro meses, de modo a que possamos chegar a um acordo abrangente sobre os PDS, incluindo no que toca ao financiamento, fazendo-o de modo a que a próxima Reunião Anual com os Parceiros de Desenvolvimento em Junho de 2004 possamos estabelecer as bases do acordo conseguido.

A execução orçamental durante o último ano fiscal melhorou em relação ao ano anterior, tanto em termos de receitas como de despesas. O padrão continuou no primeiro trimestre do ano fiscal actual. Na elaboração do orçamento para o presente ano fiscal, tivemos presente a preocupação de se superar o diferencial de financiamento de mais de $70 milhões a médio prazo. O panorama deteriorou-se em Setembro, quando recebemos a notícia perturbadora de que o fluxo projectado das receitas significativas provenientes do petróleo e do gás do Mar de Timor iria ser adiado. Isto resultou no quase dobrar do défice fiscal no orçamento do Fundo Consolidado de Timor-Leste ao longo dos próximos quatro anos, com início no presente ano.

Chegou-nos ao conhecimento de que tem havido tentativas de curto-circuitar os sistemas financeiro e de aprovisionamento existentes. Perante isto e com a finalidade de garantir a gestão sólida dos escassos recursos existentes, instruí os Ministros, Vice-Ministros e Secretários de Estado, em meados de Outubro, no sentido de assumirem o controle dos seus respectivos departamentos, com maior incidência sobre os procedimentos relacionados com as despesas. As medidas já tomadas neste campo incluem também:

1. A aplicação com sucesso da política de acesso e uso relativamente a veículos do Estado, desde o princípio do presente ano,
2. A consideração de estratégias para racionalização da frota de veículos, no contexto da transferência de activos da UNMISET, incluindo a possível alienação dos veículos que não sejam necessários. Estamos a considerar a criação de uma Entidade Pública para a gestão dos activos do Estado, incluindo a permissão do aluguer de veículos, e
3. O estabelecimento de um comité conjunto ONU / Governo para assegurar a gestão da transferência de activos da UNMISET, incluindo a avaliação das necessidades e prioridades do Governo e a identificação de todos os custos recorrentes. O relatório do comité para o Conselho de Ministros só foi recebido esta semana
4. O bloqueamento do acesso a rede Timor Telecom de telefones cujo montante de gastos de chamadas tenha ultrapassado o limite estabelecido e o bloqueamento do acesso a chamadas internacionais ou a chamadas de telefone fixo para móvel a muitos dos telefones fixos dos serviços públicos.


A redução de receitas provenientes do Mar de Timor aumentou o défice do FCTL no presente ano fiscal para cerca de $10 milhões. Contudo, no contexto do recente exercício da Revisão Semestral do Orçamento, tomámos medidas com a finalidade de conter as despesas do FCTL e de conseguir cortes ou poupanças no valor de cinco milhões de dólares. As medidas incluem directivas rigorosas quanto ao uso de telefones oficiais, de veículos do Estado e a supressão de viagens locais e internacionais que não sejam essenciais. Estes cortes ou poupanças não irão afectar as dotações para as áreas de serviços prioritários da educação e da saúde, as quais estão protegidas. Adicionalmente, espera-se que a assistência dos doadores através do Programa de Apoio à Transição venha a ser maior do que o esperado, como resultado em grande medida da depreciação do dólar americano. Isto e alguns usos modestos das poupanças acumuladas do FCTL ou dos saldos de anos anteriores deverá bastar para eliminar o défice do orçamento do FCTL durante o presente ano fiscal. Estamos a fazer a nossa parte de modo a controlar as despesas e a equilibrar o orçamento. Pedimos a vós, nossos Parceiros de Desenvolvimento, que nos ajudem com a racionalização das afectações e das despesas no orçamento de fontes combinadas, de forma a garantir que a prestação dos serviços essenciais ao nosso povo não seja afectada.

Para melhor coordenação na execução orçamental, um Gabinete de Acompanhamento de execução orçamental nos diferentes sectores será estabelecido sob a directa dependência do Primeiro Ministro.

Os Ministérios e Secretarias de Estado terão também que apresentar ao Primeiro Ministro, até Dezembro, os planos para a execução do orçamento do Fundo de Capital. O objectivo é disciplinar e orientar a execução orçamental e retirar experiências sobre a capacidade de cada agência, servindo assim de base para a elaboração do orçamento do próximo ano fiscal.

Importa tornar claro que executar o orçamento não se reduz ao simples acto de gastar. É imperioso que as despesas tenham correspondência na prestação de serviços ao público.

Olhando em frente, as revisões em baixa das estimativas de receitas provenientes do petróleo e do gás do Mar de Timor vêm aumentar o requisito de financiamento do FCTL ao longo dos próximos três anos fiscais (do AF2004-05 ao AF2006-07) de cerca de $79 milhões para $133 milhões. Foram identificadas várias potenciais opções para dar resposta ao défice do FCTL emergente. Estas opções incluem:

1. Um aumento no apoio orçamental no próximo ano fiscal (AF2004-05), o qual é o último ano do PAT com a duração de três anos em curso, de forma a cobrir cerca de dez milhões de dólares do défice de 20 milhões de dólares; com o Governo a colmatar o restante através da uma maior eficiência nas despesas e de medidas como a venda de activos; e continuação do apoio orçamental sob acordos semelhantes ao PAT para os dois anos fiscais subsequentes (isto é, o AF 2005-06 e o AF 2006-07) a níveis essencialmente idênticos aos do ano fiscal anterior;
2. Redireccionamento, na medida do possível, de fundos bilaterais e multilaterais para programas prioritários;
3. Criação de receitas domésticas adicionais, embora a margem de manobra em termos de aumentos significativos das receitas domésticas seja limitada, em face dos baixos rendimentos tributáveis;
4. Criação de receitas adicionais através da venda de activos, incluindo bens imóveis do Governo e outros bens, equipamentos ou fornecimentos que não sejam essenciais para as operações do Governo;
5. Constrangimento do crescimento das despesas do FCTL, através de uma maior incidência na consolidação e melhoria dos serviços existentes, sendo qualquer financiamento adicional dirigido às áreas mais prioritárias de acordo com as prioridades do Plano de Desenvolvimento Nacional e do Guia de Implementação do Plano. Contudo, o constrangimento das despesas do FCTL pode ter impactos adversos significativos na efectividade das despesas de desenvolvimento complementares por parte de doadores bilaterais fora do FCTL, no orçamento de fontes combinadas. É igualmente provável que venha a ter impactos negativos na economia;
6. A utilização de uma parte dos direitos acumulados da Primeira Tranche Petrolífera (PTP) proveniente do Mar de Timor, o que irá primeiro obrigar ao estabelecimento do Fundo de Petróleo para gerir as receitas do Mar de Timor, incluindo a entrada em vigor da legislação necessária, devendo quaisquer alterações na política das poupanças da PTP e quaisquer regulamentos, procedimentos e salvaguardas que orientem a utilização das poupanças, ser parte integral da legislação; e
7. A elaboração de um estudo de viabilidade para examinar os prós e os contras da contracção de empréstimos concessionais já solicitado ao Banco Mundial.

Podem ainda existir outras opções. Reconhecemos que poderá ser necessária uma combinação de opções para que possamos preencher as lacunas orçamentais a médio prazo. Nos próximos meses continuaremos o estudo desta questão e manteremos a consulta convosco sobre a matéria.

A Senhora Ministra do Plano e das Finanças irá fornecer detalhes sobre os desenvolvimentos fiscais na sua apresentação na Reunião de amanhã.

Para terminar, permitam-me expressar a gratidão do nosso povo e do Governo pelo vosso apoio durante os últimos quatro anos. Apraz-me ainda reiterar o desejo de continuarmos a trabalhar em parceria convosco. Deste modo caminharemos em frente, certos de que trilharemos com sucesso as grandes avenidas do desenvolvimento sustentável.

Obrigado.

 

 

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