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Declaração do Primeiro-Ministro, 27 de Maio
Os militares australianos estão desde ontem a patrulhar
o perímetro de segurança. Hoje também os
da Malásia. Esta zona de intervenção das
forças internacionais definida pelo Governo, em coordenação
com o Presidente da República, está a ser operacionalizada
pelos comandos das Forças de Defesa de Timor-Leste, australiano
e malasiano.
A decisão de solicitar o apoio internacional foi uma medida
naturalmente muito ponderada e teve na sua essência a vontade
inequívoca do Governo de travar a onda de violência,
evitando mais derramamento de sangue.
Obviamente, que em primeiro lugar esperamos que esta intervenção
ponha termo à violência que temos vivido nos últimos
dias. Isto demorará o seu tempo. Os militares e os polícias
estrangeiros acabaram de chegar e começam agora a tentar
controlar Díli - uma cidade que ainda não lhes é
familiar.
Estou crente, no entanto, que a partir do momento que os timorenses
começarem a sentir a presença constante destes homens
e mulheres, os níveis de confiança subirão
possibilitando um gradual regresso à normalidade, essencial
para a preservação quer do Estado de Direito Democrático,
quer dos bens e da população em geral.
Grande parte da violência ocorrida na capital de Timor-Leste
nas últimas horas, ao contrário do que possa parecer
a algumas pessoas e interesses, já não está
relacionada com um problema muito grave que se traduziu em confrontos
entre as nossas Forças de Defesa e alguns elementos da
Polícia, mas trata-se sim de uma violência derivada
da acção concertada e oportunista de grupos de marginais,
que têm pilhado e queimado casas e haveres, e ameaçado
o nosso martirizado povo.
As forças internacionais têm recebido indicações
da parte do Governo para porem termo a estes incidentes. Aguardamos
que em breve se possa dizer que já controlam a situação,
revelando eficácia nas suas acções.
O Governo em momento algum deixou de trabalhar. Ainda esta manhã,
sob a minha presidência, reuniu-se o Conselho de Ministros.
Fizemos o ponto da situação. E aprovámos
decisões importantes para dar eficácia à
coordenação das autoridades de Timor-Leste com as
forças internacionais.
Acusam-nos agora de não sabermos governar. Contudo, lembro
aqui que as políticas delineadas e seguidas pelo Governo
de que me orgulho chefiar têm recebido os mais insuspeitos
elogios de toda a comunidade internacional. Destaco apenas a título
de exemplo o aplauso sincero que o presidente do Banco Mundial,
Paul Wolfowitz, no mês passado e que repetiu agora no dia
25, fez às políticas deste Governo, aqui nesta mesma
sala. Será que apenas num mês deixámos de
ser um caso de exemplar sucesso, passando a ser um caso de manifesta
incapacidade? Que fique claro: em todo este processo temos algumas
culpas, nomeadamente na dificuldade de resolver atempadamente
quaisquer injustiças que eventualmente existam no seio
das Forças de Defesa de Timor-Leste. Mas garanto que o
Governo saberá sempre assumir as suas responsabilidades.
Espero que outros órgãos de soberania o façam
também.
Eu, primeiro-ministro de Timor-Leste, mantenho as minhas declarações
anteriores. Está em marcha uma tentativa de um golpe de
Estado. Contudo, estou confiante que o senhor Presidente da República,
com quem tenho mantido contacto, não deixará de
respeitar a Constituição da República Democrática
de Timor-Leste, que jurou cumprir. E não esquecerá
nunca os interesses do povo de Timor-Leste, pelos quais todos
lutámos durante 24 anos e milhares de irmãos deram
a vida.
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