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Perímetro de segurança definido, 26 de Maio de 2006

O comando das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), em coordenação com o comando das forças australianas, que desde ontem começaram a desembarcar em Díli, estabeleceram, nesta sexta-feira, 26 de Maio, um perímetro de segurança na capital timorense, cujo patrulhamento está a ser assegurado por militares australianos.

O perímetro de segurança envolve as sedes dos quatro órgãos de soberania - o que inclui as residências dos seus titulares -, as instalações da central eléctrica, das telecomunicações, da água, do Hospital Nacional Guido Valadares e do aeroporto, entre outros.

A decisão política sobre o perímetro de segurança foi tomada pelo Governo, em coordenação com o Presidente da República.

A inclusão das instalações dos órgãos de soberania no perímetro de segurança foi decidida não por se tratarem de eventuais alvos, mas por ser essencial à preservação da estrutura e funcionamento do Estado.

Ainda assim, quando circularam esta manhã rumores sobre um hipotético ataque ao Palácio das Cinzas, onde está instalado o gabinete do Presidente da República, no centro de Díli, o primeiro-ministro decidiu que se empregasse imediatamente tropas australianas para protecção àquele palácio.

A disposição das forças pela capital timorense segue-se à assinatura entre Timor-Leste e as autoridades australianas do acordo relativo aos termos da sua actuação.

Os neozelandeses já acordaram também com o Governo a forma e o modo da sua intervenção.

Entretanto, está desde as 8h00 em Timor-Leste, o destacamento avançado dos polícias da Malásia, cuja chegada esteve prevista para ontem. Trata-se de um grupo de 25 elementos, especializado em luta anti-subversiva.

Uma equipa de três oficiais da GNR de Portugal é esperada chegar a Díli, no domingo, 28, para fazer uma avaliação das necessidades. Entre eles, virá o comandante da companhia, composta por 120 elementos. Portugal anunciou entretanto que o seu destacamento avançado deverá chegar durante a próxima semana.

Comandante das F-FDTL garante que autor de disparos está detido

Após os confrontos de ontem no centro de Díli, perto dos quartéis da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e da Polícia Militar, que envolveram elementos das F-FDTL e da PNTL, o comandante das F-FDTL, brigadeiro general Taur Matan Ruak, garante que o militar que alegadamente disparou sobre vários polícias, que tinham entretanto deposto as suas armas, após mediação de observadores militares das Nações Unidas, foi imediatamente desarmado, está detido e será a seu tempo julgado. Prosseguem investigações no seio das F-FDTL para apurar se haverá outros militares envolvidos.

Governo mantém poderes ao nível da segurança

O Governo mantém a totalidade dos seus poderes ao nível da segurança interna. Depois de o Presidente da República ter declarado numa comunicação que havia assumido aqueles poderes, o primeiro-ministro contactou o Presidente da República e foi informado de que o entendimento do Presidente da República é que nas questões de segurança tem de haver coordenação entre os dois órgãos de soberania. O primeiro-ministro respondeu que assim tem sido até agora e vai continuar a ser. A coordenação entre os dois órgãos de soberania tem sido total e exemplo disso foi a decisão de o Estado, enquanto tal, ter requerido o auxílio das forças internacionais para resolver esta crise. Embora a proposta da decisão pertença ao primeiro-ministro, o Presidente da República e o presidente do Parlamento Nacional concordaram com a ideia, tendo as cartas dirigidas aos chefes de governo da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal sido assinadas pelos três.

 

 

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