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Ao encontro do grande desafio da saúde em Timor-Leste,
23 de Junho de 2006
As principais causas de morte em Timor-Leste são a mortalidade
infantil, as doenças infecto-contagiosas relacionadas com
a pobreza e ainda a malária, tuberculose, diarreias, má
nutrição e a falta de água potável
e saneamento básico. Este quadro da saúde, característico
de países pobres, começou de alguma forma a mudar,
sendo que a incidência de morte por doenças degenerativas
no coração e rins estão a aumentar.
"A última epidemia de diarreia que se verificou em
Timor-Leste foi em 2002 e a de dengue em 2005" afirmou o
Ministro da Saúde, Rui Maria Araújo, tendo acrescentado
que "A nossa maior prioridade na promoção da
saúde é reduzir as taxas de morte e de doença
materno-infantil. Os nossos inquéritos dizem-nos que só
40% das mulheres são assistidas por parteiras no momento
do parto mas, outros há que põem este indicador
ao nível dos 25%. Mesmo admitindo que a taxa de assistência
ao parto se situa nos 40% é ainda um número muito
baixo pelo que temos trabalhado na formação de mais
parteiras e temos programas de saúde reprodutiva que assista
as mulheres durante toda a sua vida fértil, assistência
pré e pós natal, bem como, programas de aleitamento
materno, mais consultas de planeamento familiar, imunização
e gestão integrada das doenças infantis."
O HIV/SIDA é um sério e crescente problema em Timor-Leste
e tem sido trabalhado ao nível de um Programa Nacional
de prevenção e combate desde os tempos da UNTAET,
em 2002 focalizando-se na educação e mais informação
sobre esta doença e nos meios de prevenção
à sua expansão. Este programa tem tido o forte empenho
da Igreja. Quanto ao número de casos em Timor-Leste , o
Ministro da Saúde especifica que "Os factores de risco
existem em Timor-Leste. Há já 30 casos identificados
de SIDA e já houve mortes provocadas por doenças
relacionadas com a SIDA"
Os antiretrovirais são fornecidos gratuitamente, bem como
todos os fármacos no sector público da saúde,
sendo que Timor-Leste recebe estes fármacos através
de um programa de apoio do Brasil e da USIAD. A maior parte dos
caos de HIV/SIDA são tratados na Clínica do Bairro
Pité, em Díli, pelo Dr. Dan Murphy. Esta Clínica
está integrada no sector público de saúde.
O sector público é responsável por cerca
de 80% dos actos médicos praticados em Timor-Leste e a
Igreja Católica e a Clínica Café Timor asseguram
os restantes 20%. O Ministério da Saúde providencia
os medicamentos e os consumíveis para as clínicas
da Igreja. Em contrapartida estas clínicas integram as
Equipas de Distritais de Gestão da Saúde e entram
nas estatísticas de medicamentos distribuídos.
A Clínica Café Timor é um programa de saúde
das cooperativas de café, que opera em Ermera, Aileu, Same
e Ainaro. Estas cooperativas recebem apoio da USAID. Em Díli
e Baucau existem alguns médicos com consultório
estabelecido assim como algumas farmácias privadas. Tem
havido algumas intenções para estabelecimento de
um hospital privado, mas até ao momento ainda não
se concretizaram.
O actual programa da Política Nacionai de Saúde
conclui-se em 2007, sendo que já está a ser desenvolvido
o Plano Nacional Estratégico de Saúde, para o período
de 2007/11. Este Plano inclui sub-planos estratégicos sectoriais
associados ao planeamento dos recursos humanos. Os objectivos
estão traçados: "Agora existe um médico
por cada 4000 habitantes e o objectivo é um médico
por cada 1000 habitantes, em 2015", diz Rui Araújo.
Fazendo as contas: a população de Timor-Leste é
de 986.000 e tem uma taxa de crescimento de 3.5% por ano, pelo
que Timor-Leste irá precisar de 1352 médicos em
2015. Actualmente, Timor-Leste tem 275 médicos.
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