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Lágrimas de alegria num momento em que a paz, e não
a guerra, começa a rebentar em Timor-Leste, 13 de Novembro
de 2006
Jovens residentes em algumas das áreas mais problemáticas
de Dili e membros de grupos rivais, sairam às ruas para
celebrar a paz, abraçando-se e derramando lágrimas.
"Parece que é a paz e não a guerra que está
agora a rebentar em Timor-Leste," afirmou o Primeiro-Ministro,
José Ramos-Horta.
Na noite passada, reuniram-se mais de uma centena de jovens na
principal rua que liga o centro de Dili ao Aéroporto -
local que tem servido de cenário a alguns dos piores episódios
da violência recente - abraçando-se, cantando e entoando
a palavra "paz". Esta celebração da paz,
espontânea, continuou hoje, com uma marcha até ao
centro de Dili.
O "rally da paz" surgiu no seguimento de encontros
recentes entre o Presidente da República, Xanana Gusmão,
o Primeiro-Ministro e os lideres da polícia e do exército
de Timor-Leste.
"Eu reuni-me muitas vezes, formal e informalmente, com os
lideres dos soldados, os oficiais das F-FDTL," disse Ramos-Horta
. "E nas últimas semanas, o Brigadeiro-General Taur
Matan Ruak , Comandante das F-FDTL, encontrou-se com o Presidente
Xanana, desenrolando-se conversas fraternas e francas relativas
ao progresso do país."
"Estas reuniões seguiram-se de longos convívios
entre o Presidente, eu próprio e todos os lideres das F-FDTL
e da PNTL. O encontro informal na residência privada do
Presidente Xanana, em Balibar, na passada Quinta-feira foi muito
comovente."
"Este é o resultado dos esforços de muitos
timorenses - o Presidente, os Ministros deste Governo, a Igreja,
através dos Bispos, dos padres e das freiras - e do programa
Simu Malu, lançado pelo Governo, sevindo de plataforma
para o diálogo.
"Estas pessoas recusaram-se a desistir de procurar a paz
e continuaram em conversações entre si."
Ramos-Horta, que acumula a pasta de Ministro da Defesa, declarou
que não serão compradas mais armas para o exército
e para a polícia.
"Existem já demasiadas armas neste país",
afirmou o Primeiro-Ministro "Todos nós assistimos
a demasiadas mortes, violência e luto. Chega de armas!"
Ramos-Horta disse e ouviu "palavras honestas e humildades"
dos lideres do exército e da polícia e todos se
comprometeram a trabalhar em conjunto pela reconciliação,
estabilidade e paz.
"Para consolidar a paz, muito mais precisa de ser feito
nos próximos dias e semanas. Independentemente dos obstáculos
que possam surgir, não desistiremos de procurar a paz,
a harmonia e a democracia," afirmou Ramos-Horta.
No seguimento das conversações informais ocorridas
na passada semana, espera-se que o primeiro encontro oficial de
todos os actores políticos timorenses ocorra em Dili, a
21 de Novembro. Uma grande celebração, inserida
na Iniciativa de Diálogo Nacional, está planeada
para 10 de Dezembro.
"A Presidência, o Parlamento e o Governo continuarão
a trabalhar de mãos dadas para assegurar que o diálogo
em prol da paz seja bem sucedido e garatir que nenhum cidadão
timorense, partido político ou grupo seja dele excluido,"
disse Ramos-Horta.
"Um financiamento substancial foi assegurado pelo Governo
de Timor-Leste para suportar esta iniciativa de diálogo.
Além disso, o Governo da Noroega respondeu de forma positiva
a um apelo meu, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros,
para sermos apoiodos neste esforço de diálogo",
acrescentou.
"A Noroega foi muito generosa ao dispensar a Timor-Leste
os serviços do Bispo Gunnas Stalsett de Oslo, antigo membro
do Comité do Prémio Nobel da Paz, para nos ajudar
neste esforço de paz".
O Bispo Stalsett é o principal assessor estrangeiro do
Presidente e do Primeiro-Ministro, no auxílio à
criação de pontes de entendimento entre os vários
actores sociais e políticos.
Esta é a segunda vez que o Bispo visita Timor-Leste e
até agora desencadeou dezenas de encontros com todos os
interessados.
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