Bem-Vindo Primeiro Ministro Mari Alkatiri Governo de Timor-Leste Comunicados de Imprensa Plano de Desenvolvimento Nacional

 


REGRESSAR AO ÍNDICE DOS COMUNICADOS DE IMPRENSA

Primeiro-ministro comenta incidente com ex-milícias, 11 de Janeiro de 2006

O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, declarou esta quarta-feira, 11, que a responsabilidade pelo incidente perto da fronteira, ocorrido na sexta-feira, 6, que resultou na morte de três ex-milícias, se deve, em primeira instância, à Indonésia, pois as autoridades indonésias não conseguiram evitar a sua saída daquele país.

"A Indonésia sabe que tem essas pessoas no seu país. É responsabilidade da Indonésia, em primeiro lugar, controlar essas pessoas e não permitir que atravessem a nossa fronteira e que venham aqui tentar provocar. Essa primeira responsabilidade é da Indonésia, não é nossa", afirmou o chefe do Executivo, em resposta a perguntas de jornalistas, comentando pela primeira vez o incidente que se deu quando um grupo de indivíduos entrou ilegalmente em Timor-Leste e atacou uma patrulha da polícia de fronteira.

O primeiro-ministro refutou ainda a versão indonésia de que as três pessoas (José Mausorte, que tinha pendente sobre ele um mandado internacional de captura pela alegada prática de crimes contra a humanidade durante a onda de violência que assolou Timor-Leste em 1999, Stanis Maubere e Cândido Mariano) tenham sido vítimas de excesso de violência pela polícia timorense: "Dizer que a nossa polícia actuou com uso excessivo de força é reconhecer que a Indonésia não tem força para os controlar do outro lado, o que não é verdade. A Indonésia tem capacidade, tem forças suficientes para os controlar, a questão é: por que é que não os tem controlado? É bom que pensem que devem controlar as pessoas do outro lado e não nos acusem de termos usado força em excesso para os controlar. Esta é a resposta que dou aos dirigentes indonésios."

Para o primeiro-ministro, a polícia agiu em legítima defesa, estando a sua acção perfeitamente justificada: "A nossa polícia foi emboscada por esses três indivíduos, que entraram aqui sem documentos, sem visto, sem passaporte. Dois polícias foram desarmados por eles e o terceiro reagiu em autodefesa, porque se não todos os polícias teriam sido mortos."

Mari Alkatiri terminou o seu comentário declarando: "Timor-Leste não é o quintal dessas pessoas, no qual entram e saem quando querem."

O primeiro-ministro fez estas declarações momentos antes de embarcar com destino à Austrália, onde assiste, na quinta-feira, 12, em Sydney, ao lado do chefe de governo australiano, John Howard, à assinatura do acordo entre Timor-Leste e Austrália sobre a exploração do Mar de Timor.

Após terem sido autopsiados, os corpos das vítimas deste incidente, foram entregues, na terça-feira, 10, aos respectivos familiares, dando seguimento a uma decisão judicial. Dois corpos foram entregues na fronteira e o de José Mausorte ficou em Timor-Leste, onde residem os pais e a mulher.

Por iniciativa do Governo timorense, está a decorrer um inquérito sobre o incidente, para cuja comissão a Embaixada Indonésia em Díli foi convidada a nomear uma pessoa.

 

 

© 2004, eventuation. Reservados todos os direitos.